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[segunda-feira, novembro 28, 2005] Ultimamente ando pensando em assuntos relacionados à música mais do que nunca. E, ironicamente, estou passando por uma época em minha vida que nunca toquei tão pouco. Não por opção, mas por necessidade.
Sempre fui teimoso em querer tocar bem como meus ídolos. No entanto, o destino sempre quis testar minha persistência. E aprendi mais na raça do que da forma que eu gostaria desde o início: fazer aula até me profissionalizar. Vou resumir essa história um pouco voltando aos meus 13 anos. Antes dessa idade, acho que mais ou menos com uns 10 ou 11 anos, comecei a curtir música. Mais precisamente Rock ´n´ Roll. E tudo por influência do Fabinho (Jack), o pai dele tinha todos os discos dos Beatles e umas fitas de vídeo que nós assistíamos. Era engraçado ver aquelas meninas histéricas quase tendo um ataque enquanto rolava o som. Passou algum tempo para que bandas como Guns and Roses, Skid Row e Bon Jovi se tornassem nossas bandas preferidas. Fora essa influência tinha a do Duda que adorava Ramones, Faith no More, Kiss e aí vai. Quando eu estava na sétima série ouvi na rádio uma banda que amei à primeira ouvida: Iron Maiden. E ela, então, se tornou minha preferida durante quase toda minha vida. Hoje em dia ela é minha banda do coração, mas prefiro outras. Mas foi justamente essa banda que fez nascer em mim a vontade de tocar. Só que antes disso foi minha vez de influenciar. E logo que mostrei pro Fabinho ele também adorou. Começamos a comprar os vinis, usar camiseta etc. Logo depois o Duda e o Garga começaram a curtir também. Só meu irmão que não. Ele gostava mais de Metallica. Nessa época também o Grunge tava no auge e eu comecei a curtir várias bandas como Alice in Chains, Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden e L7. Mas paralalemente a isso curtia muito mais bandas de Metal como a já citada, Black Sabbath, Megadeth, Pantera, Metallica, Sepultura etc. E o mais curioso é que a maioria das bandas que mais gosto eu descobri assistindo MTV, emissora que detesto agora. Pô! Só no Gás total (programa apresentado pelo Gastão Moreira) conheci Suicidal Tendencies, Tool, Deep Purple, Led Zeppelin e várias e várias outras bandas ótimas que eu ouço sempre. E no Fúria (também apresentado por ele) então! Nele conheci Carcass, Megadeth, Pantera, Slayer, Sepultura, Rage Against the Machine, Dio, Brujeria, Korn, Slipknot etc, etc, etc. Vai você hoje em dia depender da MTV pra conhecer alguma banda de qualidade! Vai morrer esperando. Bem, voltando ao rumo de meu começo na música: me lembro bem que eu queria começar a aprender guitarra, mas como tinha um violão em casa que meu pai tocava raramente (ele aprendeu sozinho), quando falei pra ele de minha vontade obtive a resposta de que ele que me ensinaria uns acordes e que eu também conseguiria aprender a tocar sem fazer aula. Eu não tive a mesma perspicácia que ele, tirava uns sons, só que bem tortamente. Isso foi em 94 que eu me lembre. Em 95 ganhei uma guitarra, no fim do ano consegui convence-lo de me pagar aulas particulares. Fiz 4 meses, aprendi a segurar a palheta corretamente, postura e maneira de digitação também, exercícios, acordes, aprendi as notas no braço e estava feliz da vida até que o FILHO DA PUTA do Fernado Collor de Melo com aquele plano que ocasionou uma desgraça pra população, pois além de prender o dinheiro de todos fez várias empresas quebrarem, uma delas a que meu pai trabalhava, me forçando, assim, a parar com as aulas, pois meu pai desempregado e eu dependendo dele... Nesse ínterim, numa das minhas viagens pra Caraguatatuba, comecei a conversar mais com meu primo Ivan. Ele curtia praticamente as mesmas bandas que eu e tocava numa banda. Então me contou que eles não conseguiam arranjar baixista. E numa longa conversa querendo me convencer de trocar a guitarra pelo baixo me fez refletir sobre muitas coisas, pois eu queria loucamente tocar numa banda e tentei montar com o pessoal do meu prédio, mas não deu certo. Então com sua influência direta comecei a tocar baixo. Peguei emprestado (o do Erick, depois do Duda, depois do Cris) até poder comprar um; o que aconteceu no mesmo ano. Fiz um acordo com meu irmão: dei a guitarra, o amplificador e o pedal pra ele; e em troca ele pediu no aniversário dele — que tava perto — um baixo. Então comecei de palheta, usando a técnica que adquiri na guitarra. Mas sempre impressionado de ver o Steve Harris tocar rápido com pizzicato eu treinava e treinava muito pra ganhar essa técnica e velocidade. Precisava fazer aula de baixo. Então, vendi meus discos e fiz outro acordo, desta vez com a minha mãe: ela dispensou a empregada e me deu a vaga dela; eu limpava a casa e recebia pra isso (nunca ganhei mesada). O pessoal me aloprava quando me via limpando as janelas, mas pelo menos eu tinha dinheiro pra fazer aula. Fazia com o Wslley Risso, que é um puta músico. É guitarrista, manda muito bem no baixo, me apresentou o trabalho de músicos que eu nunca tinha ouvido falar como Celso Pixinga, Victor Wooten etc. Detalhe: o cara tinha 17 anos na época e tocava absurdamente bem e com uma musicalidade rara de se ver por aí. Eu, o Ivan e o Sérgio (agora o único guitarrista da banda) fazíamos aula com ele. Foi uma época de muito desenvolvimento. Nós nos reuníamos pra tocar na casa do Ivan (na maioria das vezes) e trocávamos muitas idéias sobre tudo o que estávamos aprendendo. Nosso professor, então, foi pros E.U.A. Eu parei com as aulas. Estava estudando e trabalhando (estagiando). O Sérgio entrou no IG&T e logo depois o Ivan também. Eu fiquei pelo menos uns dois anos sem fazer nenhuma aula. Mas sempre foi assim: fazia uns 4 meses e tinha que parar por causa de motivos alheios à minha vontade, principalmente a falta de grana. — Nossa! Não imaginei que iria escrever tanto! Ainda tem muito mais. Vou ter que parar por aqui e continuar talvez a semana que vem, pois com certeza essa semana será impossível. Postado por :Ricardo / 0 comentários [sábado, novembro 12, 2005] Acredito somente naquilo que sinto, vejo, toco e me toca (Pt.1) Com raras exceções, sempre fui guiado pelas primeiras impressões e elas dificilmente se mostraram contraditórias à realidade conforme o tempo passado. Porém, elas são aliadas da intuição e essa muitas vezes ignorei. Minha preciosa intuição: toda vez que deixei de lhe ouvir e quis pagar pra ver o aconteceria se ouvisse a outra voz paguei com a dor. Sim, com a dor! Pois além da cabeçada vem o arrependimento, cravando feridas perniciosas “nas paredes da memória”. Fica aquela reverberação amplificadíssima na cabeça te dizendo e fazendo você imaginar as possibilidades resultantes do agir da forma antípoda.
Quedas e mais quedas e, finalmente, aprendi que pra certos gostos não adianta procurar algo genérico, semelhante ou bom de outra forma pra substituir. Resultado: parei de procurar; e de me iludir também. Talvez, como que num estado letárgico continuei a vida. Mas tinha que ser assim. Ouvia muitas vozes, vindas de várias direções e me apontando as mais sinuosas e diversas trilhas repletas de verdades pessoais. Agora só vou realizar minhas tentações primárias. É... um dia Oscar Wilde me aconselhou, através da fala de Lord Henry, que a única maneira de se livrar de uma tentação é ceder-lhe. Frase que ecoou em minha cabeça por muito tempo até eu perceber que eu já a tinha aderido como estilo de vida nessa nova fase. Resgatei meus desejos mais contraditórios ao senso comum e voltei a sonha-los, vi flores desabrochando com o toque do sol em suas faces e enxerguei o lado ambíguo do meu ser respirando novos ares. É como uma viagem longínqua e vertiginosa que em questão de segundos te traz de volta à Terra mais forte e mais atento aos sinais misteriosos da vida. Foi intensa, muito intensa mesmo essa viagem, até confusa. Creio que assim como a da borboleta, minha vida de larva também foi dolorida, mas necessária e enfim, agora, depois de tanto me arrastar por caminhos que não queria, ostento belíssimas asas. E voei solitariamente, mas orgulhoso da minha exuberância e da minha liberdade. Passei por muitos lugares bonitos e vivi os prazeres que estavam abertos à minha curiosidade de lepidóptero, passei por algumas flores interessantes, ora apreciando o gineceu ora o androceu. Contudo, a viagem não podia parar. E o vazio me encontrava cedo. Um vazio que tocava meu peito e me fazia sentir o arfar de uma vida sem sentido, este vagar de risos efêmeros que nem a mais recente lembrança os aceita, tão momentâneos, tão insaciáveis e tão vazios. Já estava convencido que essa sensação seria, então, minha companheira eterna. Liberdade e vazio num casamento insano e cobranças perigosas. O que faltava? De fato, já senti na pele que é melhor viver só do que mal acompanhado. Mas é tão vazio! Fazer o que? A vida reservou isso pra mim, ou talvez, com a ajuda dela, eu tenha construído todo esse mundo pra mim e ainda não sabia bem como gozar completamente nele e nem como entregar minha alma a ele. Em todo caso sou livre. E afirmava ceticamente quando ouvia alguém, por acaso, falar de amor: entre duas pessoas não existe amor e sim interesses que como num contubérnio entre parasitas pudessem ser supridas certas carências fisiológicas, psicológicas, de afirmação social ou de ordem financeira! É o que mais vejo por aí, e pra mim esse padrão é inaceitável. Esse tipo de vida não combina com a liberdade que tenho. Amor mesmo, só conhecia o que tenho pela música, que é diferente, talvez o único possível, pois alimentava meus sonhos e minha perspectiva de os ver realizados e se não fossem esses sonhos, esse infindável amor por ela, pelos meus amigos Goblin que me envolvem diretamente nela e pela minha família que em grande parte contribuiu para eu ser o homem que hoje sou, que graça maior teria essa vida? Vou ter que viver pra sempre como um quebra-cabeça cujas peças foram perdidas em algum lugar do passado, talvez até mesmo em outro continente, mundo, galáxia ou nunca existiu e nem vai existir. E em bosques frios continuava o bater de asas, enquanto o Universo, sem que eu pudesse sequer imaginar, me trazia alguém livre como eu e que também só conseguiria entregar seu amor pra pessoa certa. E é aí que entra a primeira impressão; e de mão dada com a intuição. E como que por meio de um sopro divino, fora de tempo ou espaço ela chegou até mim e (será que por coincidência?) envolvidos por música e por tudo que acredito constituir meu universo. Olhares, falas, boas tentações e o beijo. Ah, o beijo... E logo na primeira vez que a beijei — aí ocorreu a primeira e inesquecível impressão — senti que ela era especial. Um beijo único vindo de alguém que parece ter saído de um sonho. Volta as embrionárias sensações: o olhar dela chegava até meu coração. Sua voz me encantava, sobretudo os assuntos que conversávamos. O beijo feito pra minha boca quase que era imaterial de tão perfeito! E depois de voltar daquele estado onírico causado pelos seus beijos, pensei: ela é única! Se por algum motivo eu não ficar mais com ela, se não der certo o que pra mim em minutos tinha acabado de começar, jamais eu encontraria alguém que pudesse me fazer feliz como ela me fazia naqueles instantes. Existe alguém sem defeitos? Pois bem, eu conheci alguém assim. Pelo menos pra mim. Tudo nela me agrada plenamente em todos os sentidos imagináveis e inimagináveis. Nunca senti nada parecido por ninguém em toda minha vida. Vozes dos vultos: “Isso é paixão, ilusões passageiras, quimeras!”. Minha voz interior, mais forte do que as trombetas que derrubaram os muros de Jericó: É AMOR! E o som dessa música ultrapassa todas as barreiras moleculares do meu corpo. Quando você o sente de verdade não há como se enganar. Meus mais íntimos pensamentos rompem seus casulos e me afirmam de várias formas. Avalio tudo que vivi e é clara a visão. A lembrança de cada situação que passei na vida me faz sentir e crer, diariamente, que só tiveram a finalidade de me preparar pra viver esse amor. O amor que eu só poderia conhecer estando com a pessoa certa e no tempo certo das páginas de nossas vidas. Desde então, minha vida tem cada vez mais se transformado em vida. Um sonho nunca sonhado sendo materializado, trazido pra esta esfera telúrica que agora é capaz de me mostrar suas multicores reluzentes de paz. Postado por :Ricardo / 0 comentários [terça-feira, novembro 08, 2005] Graças à minha linda agora tenho um Blog. Te amo muito!!! Postado por :Ricardo / 1 comentários |