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Ricardo Campanille

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    [quinta-feira, dezembro 29, 2005]



    Já passou um pouquinho de tempo, mas enfim uma foto do Fetish for Fun Christmas (17/12/2005). Aquele dia foi maravilhoso e minha linda me faz mais feliz a cada dia e em cada momento que passamos juntos .

    Postado por :Ricardo / 0 comentários

    [segunda-feira, dezembro 12, 2005]


    Depois de reler algumas vezes o texto em que comecei a contar sobre minha vida musical percebi que faltam alguns fatos paralelos e não menos importantes entre algumas daquelas linhas. Minha memória sempre reativa as lembranças vivamente quando não posso escrever.
    Mas continuando de onde eu tinha parado: entrei numa fase em que minha personalidade musical tinha se escondido em algum recôndito de meu cérebro, pois muito tempo de minha adolescência eu vivi from hellzamente e de repente, começando por volta dos 17 anos, comecei a ouvir muitos conselhos que diziam o que era preciso para ser um bom músico. E todos eles eram diferentes do que eu acreditava ser.
    — Muito bem. Cada um tem suas verdades; e muitas vezes aparece alguém querendo te convencer de que essas verdades pessoais são universais. E muitas vezes, devido a minha imaturidade, conseguiram. Não que tenha sido ruim verter pra outras formas de pensar, buscar outras influências, procurar saber um pouco mais de outros estilos, só que abandonei minha essência por um longo período. Diria que a reencontrei há pouco mais de dois anos. Tudo na vida é válido, mas é muito ruim passar por momentos em que sua opinião formada, do nada, é eclipsada. Há um processo de mescla de idéias até se formar uma nova visão, mais segura, alicerçada e própria (autêntica).
    Saindo dessa faixa de minhas recordações, agora sim, continuarei.
    Estudei em 1998 com Nilton Wood. Na verdade só fiz dois meses de aula, pois ele mora muito longe de mim. Eu gostei muito das aulas dele, foram as que me deram mais autenticidade no meu jeito de tocar. Depois, em 2000, eu entrei no IB&T. Estudei lá um ano em meio mais ou menos, fiz até o fim do 3º módulo. Nessa época, período entre 2000 e 2001, tive uma enorme crise existencial, pois até então, mesmo tendo feito algum tempo de aula, minha maior fonte de aquisição de técnica foram, principalmente, tocar com a minha banda (Hobgoblins), estudar muitas vídeo-aulas e tirar músicas, que na minha opinião é a melhor escola. Essa crise se deu fortemente porque comecei a perder o “feeling” que até então era minha marca, pois comecei a aprender certos conceitos teóricos, outras formas de pegada e não conseguia fazer bem nada daquilo que aprendia e, além disso, estava perdendo minha personalidade musical. É claro que esse problema passou, mas durante o tempo em que ele me afligiu eu tinha a impressão de que eu tocava cada vez pior. Mas o tempo e minha dedicação transformaram cada parte de meu aprendizado numa parcela importante e indivisível de minha expressão musical de hoje.
    — Eu estou com tantas coisas na cabeça pra escrever e pouco tempo pra isso fazer.
    Depois que parei de estudar no IB&T comecei treinar muito mais do que antes, mormente as coisas que eram meus maiores obstáculos. Lembro de algumas vezes ter treinado Pozzoli com o Ivan e, devido seu jeito áspero de apontar os erros, me esforcei muito em meus estudos. Minha irmã sempre me ajudou infinitamente, pois eu enchia o saco dela quando eu tirava alguma música e arrancava ela do que quer que fosse que ela estivesse fazendo pra me ouvir tocar e dar uma opinião e, diga-se de passagem, sempre a mais sincera e na maioria das vezes me faziam voltar pra Terra. Em diversos momentos tirava minhas dúvidas com o Sérgio, provavelmente ele nem sabe disto, mas muito do que sou como músico devo a ele também, pois sempre me espelhei em seu jeito de tocar.
    Superei-me. Consegui galgar um outro patamar — não se impressionem, não é nada de ohhhhhh!!! como ele toca bem! Mas consegui chegar num nível que apenas vivia em meus sonhos. Então quando um sonho vira realidade necessitamos de outros. Eu pelo menos não consigo me contentar com o que sou, em nenhum sentido, eu tenho a necessidade de sempre ser melhor no que faço. Só que, é claro, dentro das minhas possibilidades e oportunidades.
    Então, dando um salto, venho até o ano de 2005. Comecei o ano querendo fazer tudo ao mesmo tempo: comecei fazer aula de guitarra, canto e baixo. Essa última com Zuzo, músico que sempre admirei. Aprendi tantas coisas legais que eu sempre quis e até agora não tive tempo de treinar nem ¼.
    As aulas de canto foram ótimas, mas infelizmente tive que parar tudo. É a questão de conseguir conciliar vida profissional — que ocupa quase meu dia inteiro e não tenho outra saída, pois se trabalho em outra área e menos horas, automaticamente ganho menos e fico sem poder fazer as aulas — e minha vida musical que requer dedicação e tempo. Ou seja, não estava conseguindo fazer nada direito, então parei com as aulas de guitarra, depois com as de baixo e, com muita dor no coração, com as de canto, pois o Greco me fez ser capaz de conseguir cantar alguma coisa. Isso foi algo que sempre duvidei que conseguiria, apesar da vontade que me acompanha a vários anos; e que sempre deixei de lado. Talvez pelo fato de que com uma frequência não irrisória, em várias ocasiões, deixo minha timidez tolher os meus instintos.
    E chegando até o primeiro parágrafo do “post” anterior, esclareço: quando tenho recursos pra fazer aula não tenho tempo de treinar e quando tenho tempo não tenho como estudar com alguém. Portanto, me conformei que mais do que toco não vou tocar. Pelo menos enquanto minha vida for assim. Ela nunca foi diferente e eu jamais consegui encontrar um meio de faze-la ser. O jeito é ser paciente e nunca deixar os sonhos para trás.


    Postado por :Ricardo / 0 comentários

    [segunda-feira, dezembro 05, 2005]


    Hoje escrevi alguns versos falando do meu blog. Nunca tive talento pra isso, mas gostei desse. Pela falta de tempo deixarei somente essa tentativa de poema. E para quem começou a ler o post anterior: não se preocupe que eu continuarei logo.

    A crisálida

    Aqui é minha crisálida.
    Inerte, imprevisível, ignorada.
    Viva.
    Mesmo em seu silêncio exterior é viva.
    E no interior desenvolve as suas asas
    Numa formação orgânica de palavras
    Que pulsam em meus nervos,
    Mas não chegam até minha saliva.
    Fragmentadas, ofereço-vos,
    Assim, algumas linhas da minha vida.

    Postado por :Ricardo / 0 comentários