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[sábado, março 25, 2006] Quem já criou muralhas em volta de si?
Eu já! Mas toda aquela redoma aparentemente tão intransponível guardava um ser com uma força motriz esmagada, fragilizada, encurralada nos becos desesperadores de uma consciência estagnada por somente absorver palavras de verdades sagradas para alguns e nunca buscar vorazmente a própria luz, a própria verdade, aquele fogo que quando paulatinamente estava sendo apagado simplesmente me entreguei a um estado inerte, inexpressivo, com uma afasia repugnante oriunda daquela mania de temer as conseqüências de uma rebelião interior — é mais fácil aceitar as verdades que guiam multidões do que procurar as próprias respostas. Só que minha essência não iria deixar por muito tempo esse estado apático me dominar. Minhas paixões exigiam que mesmo temendo eu deveria profetizar e realizar um anátema a todos os venenos que retraíam e traíam minha alma. Pode parecer ridículo, mas devido e educação religiosa que tive enquanto criança carreguei durante minha adolescência e até o início da minha vida adulta aforismos que condenavam sentimentos que existiam numa clausura tão secreta e tão tola, pois sua existência tem por exclusivo objetivo a função me fazer feliz e deveriam ser externados, vivenciados, aproveitados com todo o ardor que me inflamava e não sublimados como o Deus inventado que me apresentaram como criador de tudo ditava através de bocas de pura carne e depois em minhas noites seus ecos me cobravam a perfeição que jamais minha intuição tinha me recomendado. E só depois fui perceber que era ela quem eu tinha que ouvir. Romper a redoma não foi fácil. Algumas pessoas especiais na minha vida me ajudaram muito, principalmente minha irmã, um anjo que o rosto de eterno brilho de criança guarda uma das personalidades mais autênticas que já conheci. E curiosamente enquanto buscava específicas respostas outras que nem imaginava surgiam com força extrema em minha vida, descobri escritores que confirmavam, sofisticavam, alicerçavam e edificavam minhas centelhas de pensamentos próprios (quando escrevo “próprios” não pretendo de forma alguma dizer que filosofei e cheguei a uma conclusão inédita, mas ter chegado a conclusões que há muito tempo estiveram guardadas em algum livro sem que eu tivesse conhecimento dele ou sofrido qualquer tipo de influência direta de idéias de outrem), destruindo os antigos impérios que me dominavam. Além disso, passei por momentos de necessidade de provar algumas coisas, que nem eu posso mensurar exatamente o que eram, para os outros e mesmo sendo antagônico quando diz respeito ao que eu falava frouxamente e o que eu fazia incompletamente serviu para incitar o fogo que me faz agir de acordo com meus sentimentos mais puros; e agi. Na verdade, sem que eu soubesse meu coração e minha mente me preparavam para saber reconhecer e viver o amor quando ele chegasse e mesmo sem saber disso ouvi minha intuição em todos os momentos e tenho orgulho do que sou agora na minha eterna vida de borboleta.A redoma de alguma forma me protegeu das forças nefastas que algum humano fosse capaz de irromper contra minhas fraquezas, mas com certeza sentia as pancadas nesse escudo. E eu sabia que não poderia suportar eternamente esse martírio do refúgio. Saí dele cambaleante e sem direção, mas dedicado a ser o que realmente eu era, viver minha ambigüidade e buscar minhas respostas para assim sorrir com o impulso que minha alegria me proporcionava devido meus feitos. Postado por :Ricardo / 0 comentários |