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[sábado, março 11, 2006] São estranhos, são muito estranhos os dias em que rompo meu invólucro crisálico. Tantas vezes isso já aconteceu, porém até hoje me surpreendo com as marcas herdadas da vida larval. E o ciclo continua: quando penso que cheguei ao ápice e estou pronto pra próxima etapa logo percebo que já me fora tolhida as asas e me encontro a rastejar novamente. Mas não é possível que tudo o que vejo seja uma miragem! Além de ser muito real, eu já a contemplei por muito tempo, já me estiquei até a ponta dos dedos pra alcançá-la, sei que é real, mas raramente chego perto. O destino... Às vezes creio nele. De uma forma ou de outra há caminhos que não podemos nos abster. E quando menos percebemos já o trilhamos até a metade e a porta de entrada por trás de sinuosas vias se esconde. Então, após tempos em tempos, quando o que era verdade no passado se torna uma mera ilusão, enxergamos (eu, meus demônios e meus anjos) nitidamente os fantasmas que criamos pra nos contentar com o intolerável. Achei algumas coisas que escrevi em alguns dias de desespero. E aqui, as palavras que em letras tremidas pintavam com tinta azul meu caderno continuarão me mostrando como costumo, não poucas vezes, ver o mundo que me espicaça diariamente. É como se tudo estivesse Começando a se dissolver, Os sentidos se perdem como se desse Pra subir até se envolver Em nuvens e no mesmo momento Voltar à Terra em tormento Absurdo e sem perceber o que realmente Acontece nessa fração de dor, Sibilando aos ouvidos dissonâncias insensíveis. ------------------------------------------------------------------------------------------------ (texto escrito viajando pelo metrô, observando os transeuntes e refletindo sobre as minhas inquietações) Estamos aqui para sermos logo esquecidos. Mais rápido do que aquela imagem Que vemos passando na pressa angustiante De chegarmos ao destino que nos puxa Pelo pescoço até rastejarmos sem ar. Obcecados pela conquista de um troféu Que não é nosso; luta pela qual nem se tem objetivo. É a corrida pra se manter respirando... Qual era mesmo aquela imagem? Sim! Um subser comendo lixo Num canto desprezível deste mundo Surreal que, confortavelmente, chamamos De cidade, janelas, vidas que numa Estranha simbiose necessitam de caos. Olhos que da superfície da capa Grosseira tiram do interior até as fraquezas que não temos. Constroem com dedos ágeis uma nova imagem desta massa: Com etiqueta, valor e validade Esperando nas prateleiras urbanas Pra sermos comparados, comprados, consumidos. Enfim, considerados objeto plástico Somos logo substituídos por outro Que nesse instante já tem menos valor, Mas aquele conjunto de formas harmoniosamente Esculturais aprovam — é o que nós idiotas achamos — e o Mundo quer também entrar nessa fôrma conformista. Esqueça de vez! Até essa música de fundo é padrão, O rótulo inevitável se baseia no estereotipo comum E nessa inacabada metamorfose nos enganamos Outra vez, te falo novamente: esqueça tudo que ouviu! As palavras estão grafadas, As músicas gravadas E nós já somos um pouco menos humanos. Talvez anjos em nosso sono demoníaco. Mas com certeza já não sou o mesmo que escreveu tudo isso. Sou um semo-lunático a delirar por mais alguns dias. Mais esquecido que a história desta morada De inocentes crianças que de olhos vidrados Nas vitrines brincam de viver. --------------------------------------------------------------------------- (depois de alguns copos de gin em meu quarto) Sei que mais uma vez Vou odiar as influenciadas Palavras que borbulham em meu Insigne cérebro! E escrevo Mesmo assim, em minha embriaguez. Não há respostas para minhas Indagações sobre a vida. Tudo aqui é tão falso e Assim me tornei o reflexo de Centenas que me causam exagerado asco. Sorrindo e querendo ter uma arma De aniquilação em massa Sou a engrenagem que depende Das outras para fazer essa máquina De demência gerar força. Postado por :Ricardo / 0 comentários |