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[quinta-feira, maio 25, 2006] Uma batida leve e estanque da aldrava faz a madeira falar em sua linguagem grave e monossilábica; curta e abrangente, mas que mesmo de forma singular revela o ator. Foi em um daqueles momentos de distração, olhar vítreo e voltados para o átrio que conduz aos incontáveis ápices de memória que nos desligam de tudo ao redor. Como numa espécie de susto, rapidamente, levanto a cabeça e olho em direção ao vórtice que insiste em tentar devastar a liberdade. É que até sem superpoderes, pois há pessoas exageradamente rasas em suas manias, posso vê-los atrás da porta. Até tamanhos, aparências e suas vozes de herdeiros da justiça e caçadores de almas perdidas. O som acabou absolutamente, no entanto há resquícios dele circulando pelo meu corpo, movendo meus nervos e me paralisando. E diferente de mim, os segundos correm em seu curso natural e inexorável. E sou alma perdida que ama o esquerdo, e nele descanso no regaço de minhas convicções. Valores são variáveis que entendo como me fazem sentir a vida. E penso: mais uma discussão inútil. Mas não quero fugir, é preciso saber se vale a pena ser Mephisto e levá-los para meu mundo. Não há palavras sagradas capazes de me dissuadir. E nem verdades universais, pois são as minhas que me guiam. Admito que quase sempre sou larva, mas quando me transmuto em borboleta é porque estive na crisálida digerindo os reflexos de minhas atitudes, faltas de atitudes, vivências, resignações, meus triunfos e de tudo aquilo que meu corpo captou durante o período rastejante. Mas eles insistem em me olhar por cima, pois suas verdades são mais verdadeiras e, assim, falam do que não sabem como um doutor que descobriu a cura de um câncer inventado. Meu tempo não existe, só a verdade, nem minhas conclusões, só a verdade aceita pela multidão robotizada. Deixo falar as palavras que correram através do sangue, deixo o preconceito falar com sua voz carrasca, mas meu silêncio ao contrário de consentir, por meio de um simples olhar, revela que meu mundo antípoda ao deles não precisa provar nada, pois viver é a única prova. Tampouco preciso cansar minha voz no ouvido de pedra deles. E assim abandono a inútil confabulação, pois o meu também é de pedra para os dizeres deles. Cada um precisa de determinados tipos de palavras para se guiar. As que ouço mais freqüentemente com toda a certeza saem mais da boca do diabo que criaram para amedontrar as crianças inocentes e esperançosas por um céu dourado. O diabo que me ajuda a ser uma pessoa melhor.
Postado por :Ricardo / 0 comentários |