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[segunda-feira, março 27, 2006] Olhos abertos! Talvez seja uma fração de segundos de uma sensação onde o tempo e o espaço já não existem e, perante o foco dos olhares que de fora me encaram por fora, pareço estar vicejando num universo paralelo. Como uma metempsicose que leva meu corpo etéreo ao de uma borboleta, cujas frenéticas batidas das asas a leva na direção que algumas fortes batidas do meu coração lhe indicam com confusas cores se formando menos fortes do que o êxtase da lembrança deste dia passado e único que me encontro presente. E é tudo muitíssimo rápido. De repente as imagens se formam claramente fortes e deslumbrantes, confundindo e misturando imagens e emoções. Sonhando acordado me entrego ao toque do dia 27/08/2005, quando minha alma, elevada pelo mais sublime dos sentimentos, me fazia ouvir somente os anjos que exacerbavam minha intuição. Era a terceira vez que me encontrava com a divindade que mudou a minha vida. Naquele dia de mútuas descobertas começamos a namorar. E hoje completa sete meses de um convívio puro que faz com que eu me sinta a pessoa mais privilegiada do mundo. Aquela força da paixão dos primeiros instantes cresce, assim como meu incessante amor, a cada instante que toco sua lívida, linda e perfeita pele, cada vez que ouço a sua encantadora voz, cada vez que o cheiro doce do seu corpo eu sinto e entro em devaneios, cada vez que conversamos, nos descobrimos e nos identificamos ainda mais, cada vez que passeamos, cada vez que nos distraímos, cada vez que nos beijamos e tocamos as estrelas, cada vez que nos amamos e nos entregamos tanto às nossas mais singulares quanto as mais excêntricas loucuras que só entre nós são possíveis. É só ao seu lado sou livre e completo, pois você é parte de mim, é minha alma gêmea. Pisco acelerada, mas poucas vezes os olhos. Duas ou três vezes talvez. Volto ao planeta e ainda mais intensamente esses pensamentos, imagens e emoções que se fundem num sentimento inexplicável transbordam por todos os meus poros, aquecem meu peito e animam um ímpeto gigantesco de vida que tem força de sobra para derrubar qualquer barreira que possa surgir. Parece que até o ar que respiro traz o equilíbrio das boas energias que sinto me envolver. Sorrio sem nem perceber. É a felicidade que fora da lembrança de um sonho realizado permanece constante e viva. E o amor dentro das mais profundas raízes da minha alma quase me tira lágrimas de alegria. Você é minha alma gêmea!
Postado por :Ricardo / 0 comentários [sábado, março 25, 2006] Quem já criou muralhas em volta de si?
Eu já! Mas toda aquela redoma aparentemente tão intransponível guardava um ser com uma força motriz esmagada, fragilizada, encurralada nos becos desesperadores de uma consciência estagnada por somente absorver palavras de verdades sagradas para alguns e nunca buscar vorazmente a própria luz, a própria verdade, aquele fogo que quando paulatinamente estava sendo apagado simplesmente me entreguei a um estado inerte, inexpressivo, com uma afasia repugnante oriunda daquela mania de temer as conseqüências de uma rebelião interior — é mais fácil aceitar as verdades que guiam multidões do que procurar as próprias respostas. Só que minha essência não iria deixar por muito tempo esse estado apático me dominar. Minhas paixões exigiam que mesmo temendo eu deveria profetizar e realizar um anátema a todos os venenos que retraíam e traíam minha alma. Pode parecer ridículo, mas devido e educação religiosa que tive enquanto criança carreguei durante minha adolescência e até o início da minha vida adulta aforismos que condenavam sentimentos que existiam numa clausura tão secreta e tão tola, pois sua existência tem por exclusivo objetivo a função me fazer feliz e deveriam ser externados, vivenciados, aproveitados com todo o ardor que me inflamava e não sublimados como o Deus inventado que me apresentaram como criador de tudo ditava através de bocas de pura carne e depois em minhas noites seus ecos me cobravam a perfeição que jamais minha intuição tinha me recomendado. E só depois fui perceber que era ela quem eu tinha que ouvir. Romper a redoma não foi fácil. Algumas pessoas especiais na minha vida me ajudaram muito, principalmente minha irmã, um anjo que o rosto de eterno brilho de criança guarda uma das personalidades mais autênticas que já conheci. E curiosamente enquanto buscava específicas respostas outras que nem imaginava surgiam com força extrema em minha vida, descobri escritores que confirmavam, sofisticavam, alicerçavam e edificavam minhas centelhas de pensamentos próprios (quando escrevo “próprios” não pretendo de forma alguma dizer que filosofei e cheguei a uma conclusão inédita, mas ter chegado a conclusões que há muito tempo estiveram guardadas em algum livro sem que eu tivesse conhecimento dele ou sofrido qualquer tipo de influência direta de idéias de outrem), destruindo os antigos impérios que me dominavam. Além disso, passei por momentos de necessidade de provar algumas coisas, que nem eu posso mensurar exatamente o que eram, para os outros e mesmo sendo antagônico quando diz respeito ao que eu falava frouxamente e o que eu fazia incompletamente serviu para incitar o fogo que me faz agir de acordo com meus sentimentos mais puros; e agi. Na verdade, sem que eu soubesse meu coração e minha mente me preparavam para saber reconhecer e viver o amor quando ele chegasse e mesmo sem saber disso ouvi minha intuição em todos os momentos e tenho orgulho do que sou agora na minha eterna vida de borboleta.A redoma de alguma forma me protegeu das forças nefastas que algum humano fosse capaz de irromper contra minhas fraquezas, mas com certeza sentia as pancadas nesse escudo. E eu sabia que não poderia suportar eternamente esse martírio do refúgio. Saí dele cambaleante e sem direção, mas dedicado a ser o que realmente eu era, viver minha ambigüidade e buscar minhas respostas para assim sorrir com o impulso que minha alegria me proporcionava devido meus feitos. Postado por :Ricardo / 0 comentários [sábado, março 11, 2006] São estranhos, são muito estranhos os dias em que rompo meu invólucro crisálico. Tantas vezes isso já aconteceu, porém até hoje me surpreendo com as marcas herdadas da vida larval. E o ciclo continua: quando penso que cheguei ao ápice e estou pronto pra próxima etapa logo percebo que já me fora tolhida as asas e me encontro a rastejar novamente. Mas não é possível que tudo o que vejo seja uma miragem! Além de ser muito real, eu já a contemplei por muito tempo, já me estiquei até a ponta dos dedos pra alcançá-la, sei que é real, mas raramente chego perto. O destino... Às vezes creio nele. De uma forma ou de outra há caminhos que não podemos nos abster. E quando menos percebemos já o trilhamos até a metade e a porta de entrada por trás de sinuosas vias se esconde. Então, após tempos em tempos, quando o que era verdade no passado se torna uma mera ilusão, enxergamos (eu, meus demônios e meus anjos) nitidamente os fantasmas que criamos pra nos contentar com o intolerável. Achei algumas coisas que escrevi em alguns dias de desespero. E aqui, as palavras que em letras tremidas pintavam com tinta azul meu caderno continuarão me mostrando como costumo, não poucas vezes, ver o mundo que me espicaça diariamente. É como se tudo estivesse Começando a se dissolver, Os sentidos se perdem como se desse Pra subir até se envolver Em nuvens e no mesmo momento Voltar à Terra em tormento Absurdo e sem perceber o que realmente Acontece nessa fração de dor, Sibilando aos ouvidos dissonâncias insensíveis. ------------------------------------------------------------------------------------------------ (texto escrito viajando pelo metrô, observando os transeuntes e refletindo sobre as minhas inquietações) Estamos aqui para sermos logo esquecidos. Mais rápido do que aquela imagem Que vemos passando na pressa angustiante De chegarmos ao destino que nos puxa Pelo pescoço até rastejarmos sem ar. Obcecados pela conquista de um troféu Que não é nosso; luta pela qual nem se tem objetivo. É a corrida pra se manter respirando... Qual era mesmo aquela imagem? Sim! Um subser comendo lixo Num canto desprezível deste mundo Surreal que, confortavelmente, chamamos De cidade, janelas, vidas que numa Estranha simbiose necessitam de caos. Olhos que da superfície da capa Grosseira tiram do interior até as fraquezas que não temos. Constroem com dedos ágeis uma nova imagem desta massa: Com etiqueta, valor e validade Esperando nas prateleiras urbanas Pra sermos comparados, comprados, consumidos. Enfim, considerados objeto plástico Somos logo substituídos por outro Que nesse instante já tem menos valor, Mas aquele conjunto de formas harmoniosamente Esculturais aprovam — é o que nós idiotas achamos — e o Mundo quer também entrar nessa fôrma conformista. Esqueça de vez! Até essa música de fundo é padrão, O rótulo inevitável se baseia no estereotipo comum E nessa inacabada metamorfose nos enganamos Outra vez, te falo novamente: esqueça tudo que ouviu! As palavras estão grafadas, As músicas gravadas E nós já somos um pouco menos humanos. Talvez anjos em nosso sono demoníaco. Mas com certeza já não sou o mesmo que escreveu tudo isso. Sou um semo-lunático a delirar por mais alguns dias. Mais esquecido que a história desta morada De inocentes crianças que de olhos vidrados Nas vitrines brincam de viver. --------------------------------------------------------------------------- (depois de alguns copos de gin em meu quarto) Sei que mais uma vez Vou odiar as influenciadas Palavras que borbulham em meu Insigne cérebro! E escrevo Mesmo assim, em minha embriaguez. Não há respostas para minhas Indagações sobre a vida. Tudo aqui é tão falso e Assim me tornei o reflexo de Centenas que me causam exagerado asco. Sorrindo e querendo ter uma arma De aniquilação em massa Sou a engrenagem que depende Das outras para fazer essa máquina De demência gerar força. Postado por :Ricardo / 0 comentários |