|
Perfil
Links Favoritos:
Livros que estou lendo:
Bandas que mais estou ouvindo ultimamente:
Músicas que mais tenho tocado no baixo (com excessão das músicas da minha banda):
Atividades físicas: Arquivos:
Contador
![]() |
|
[terça-feira, maio 30, 2006] Amnésia Cinza
Mesmo com a degradação pungente Há fome de sobrevivência. E a presente ausência De sensibilidade é crescente. Em cada ínfimo canto há Específica mazela perpétua, Mas o corpo se acostumará Com toda a lama infecta! E logo aplaudimos espetáculos Desgraçados com uma facilidade pueril. E aconchegados nesses tentáculos Esperamos algo pior do que tudo que já se viu. Cambaleantes ainda sorrimos. Ainda há como comprar roupas de cinismo. Têm distrações em tudo que seguimos E alguns grãos dentro do abismo. É vasta a devassidão, Mas como estátuas em ruínas Ignoramos todas as chacinas Em nossa constante distração. Postado por :Ricardo / 0 comentários [sábado, maio 27, 2006] Se eu tivesse que crer em algum deus seria com certeza em Afrodite, pois nada poderia ter sido melhor do que o magnífico presente que somente uma deusa do amor teria o poder de me contemplar. Conforme minha vida ia passando eu constituía um mundo pra mim, com minhas regras, mas tudo era incompleto, tudo era confuso, tudo ia contra minha vontade ígnea de ariano. Cedia ao medo quando deveria ceder à voz interior, e inumeráveis vezes falava sim querendo falar não, pois me tornei uma pessoa acomodada em tudo, esperando que minhas infantilidades se tornassem reais. E quando percebi já era adulto e tinha que agir como tal, abandonar todos os fardos que carregava e me abrir para a força do Universo, ouvir sua grandiosa voz. E hoje eu tenho certeza que o Universo sempre escolhe o melhor pra cada um, assim como a melhor hora para agir. E tudo está em nossas mãos, cada dia melhor depende de nosso querer e eu queria uma pessoa que me completasse, que fosse como eu, uma pessoa que meus sonhos pintavam com cores cintilantes. Derrubei vários muros que delimitavam meus cárceres mesmo sem saber como seria a liberdade, assumir tudo aquilo que dentro de mim fazia morada e clamava por vida. Amei a solidão por um tempo, pois o ser humano já me causava asco, não existia mais essência feminina ou masculina que me fizesse deleitar, no passado me entreguei a todos os prazeres, de fato mais vazios e sem sentido se tornavam. E amei a solidão mesmo ela me deixando no mais fundo dos abismos, eu quis me jogar lá, pois algo no meu íntimo dizia que justamente no temível que eu encontraria força pra me encontrar. A força de nossas vontades de VIDA fez nossos caminhos se cruzarem e conheci seu olhar que me falou na língua dos anjos. Ascendi de um segundo para o outro ao apogeu dos sentimentos. Cada uma das metades mutuamente se reconheceu. A escuridão também acabou. E me encontrei ao encontrá-la. E, assim, me transmutei imediatamente em borboleta. E ela é uma flor que me permite provar o gineceu e o androceu do seu ser e ela do meu, pois também sou flor dessa espécie. E somos ambos flor e borboleta e voamos juntos em nossos campos. Desde então a cada dia o amor por você, Renata, cresce ininterruptamente, você é muito mais do que até o mais incrível dos sonhos, muito mais do que eu pedi pro Universo. Você me faz crescer, pois você é minha metade, meu espelho onde entro e percebo que dentro de mim você está. Nossos reflexos nos revelam tudo um do outro e nada é mais claro do que a alma que vejo se misturando com a minha, que desenvolve um amálgama raro que nos conduz a uma felicidade quase metafísica de tão intensa, inimaginável e indescritível.
Postado por :Ricardo / 0 comentários [quinta-feira, maio 25, 2006] Uma batida leve e estanque da aldrava faz a madeira falar em sua linguagem grave e monossilábica; curta e abrangente, mas que mesmo de forma singular revela o ator. Foi em um daqueles momentos de distração, olhar vítreo e voltados para o átrio que conduz aos incontáveis ápices de memória que nos desligam de tudo ao redor. Como numa espécie de susto, rapidamente, levanto a cabeça e olho em direção ao vórtice que insiste em tentar devastar a liberdade. É que até sem superpoderes, pois há pessoas exageradamente rasas em suas manias, posso vê-los atrás da porta. Até tamanhos, aparências e suas vozes de herdeiros da justiça e caçadores de almas perdidas. O som acabou absolutamente, no entanto há resquícios dele circulando pelo meu corpo, movendo meus nervos e me paralisando. E diferente de mim, os segundos correm em seu curso natural e inexorável. E sou alma perdida que ama o esquerdo, e nele descanso no regaço de minhas convicções. Valores são variáveis que entendo como me fazem sentir a vida. E penso: mais uma discussão inútil. Mas não quero fugir, é preciso saber se vale a pena ser Mephisto e levá-los para meu mundo. Não há palavras sagradas capazes de me dissuadir. E nem verdades universais, pois são as minhas que me guiam. Admito que quase sempre sou larva, mas quando me transmuto em borboleta é porque estive na crisálida digerindo os reflexos de minhas atitudes, faltas de atitudes, vivências, resignações, meus triunfos e de tudo aquilo que meu corpo captou durante o período rastejante. Mas eles insistem em me olhar por cima, pois suas verdades são mais verdadeiras e, assim, falam do que não sabem como um doutor que descobriu a cura de um câncer inventado. Meu tempo não existe, só a verdade, nem minhas conclusões, só a verdade aceita pela multidão robotizada. Deixo falar as palavras que correram através do sangue, deixo o preconceito falar com sua voz carrasca, mas meu silêncio ao contrário de consentir, por meio de um simples olhar, revela que meu mundo antípoda ao deles não precisa provar nada, pois viver é a única prova. Tampouco preciso cansar minha voz no ouvido de pedra deles. E assim abandono a inútil confabulação, pois o meu também é de pedra para os dizeres deles. Cada um precisa de determinados tipos de palavras para se guiar. As que ouço mais freqüentemente com toda a certeza saem mais da boca do diabo que criaram para amedontrar as crianças inocentes e esperançosas por um céu dourado. O diabo que me ajuda a ser uma pessoa melhor.
Postado por :Ricardo / 0 comentários [segunda-feira, maio 15, 2006] É puro pessimismo, mas os fatos conduzem meus pensamentos nessa direção.
Como que um país tão grande e cheio de recursos pode ser assim? Com tanta má vontade de ação em prol de uma sociedade mais harmoniosa? Quanto sangue ainda terá que cair para que as leis realmente punam como se deve quem escolhe o caminho do crime. Aqui tudo é putaria, desde o pico até a base da pirâmide. Os políticos visando os interesses da elite corrupta e os próprios, vilipendiando todos os valores éticos e morais, nos roubam sem o mínimo pudor e nada acontece para que paguem pelo que fizeram, governam o país com um descaso imenso às prioridades da massa popular, as pessoas são números, são nada mais que peças dessa monstruosa engrenagem Capitalista. Porra!!! É muito foda ter que viver assim, essa merda nunca vai mudar, é cobra comendo cobra! O que aconteceu hoje em São Paulo é o reflexo da conivência das autoridades para com o tráfico e demais crimes. Muita gente ganha dinheiro com toda essa situação, desde o aviãozinho até o juiz. Direitos humanos o caralho!!! Quem matou deveria ter pensando antes e tinha que pagar com a própria vida. Por que não liberar tudo quanto é droga logo, quem quiser se matar que se mate mergulhado no vício, ao menos acaba com o tráfico. Por acaso somos um país de alcoólatras porque a bebida é droga legal? Nós pagamos pra essas pragas imundas comerem às nossas custas e continuarem planejando como foder com a vida de pessoas inocentes. E eu tenho certeza que enquanto uma tragédia de proporções muito maiores não acontecer nada vai mudar. Infelizmente é assim aqui, o maior orgulho do brasileiro é o futebol, como querem que nos contentemos. E eu me envergonho de um povo que se deixa anestesiar com algo que não traz benefício algum. Ainda querem que eu seja patriota! Como? E pra quê? Só se for pra morrer como o Policarpo Quaresma! Eu sinto que as coisas ainda vão piorar bem. E é necessário no pé que elas estão. Desde cedo somos condicionados a querer, querer, querer, dinheiro, coisas da moda... o problema dos outros é dos outros, o que importa é que eu quero dinheiro pra comprar isso, aquilo e aquele outro que não preciso mas eu quero porque o bonitinho e a bonitinha da TV têm. Quero diversão, responsabilidades não, o todo tem que se voltar pra mim e eu fecho os olhos para a podridão. Pensar não é mais preciso, sempre há alguém pra fazer isso por nós, mas esse alguém demora tanto pra chegar... Esqueça, agora vai começar mais um “reality show”, quem sabe uma nova idéia surja? São todos tão criativos! Hoje uma frase veio na minha cabeça, acho que é do Marquês de Sade, mas agora não tenho certeza e nem tempo pra averiguar: tempos de situações extremas exigem medidas extremas. Mas que seja dele, de outro ou do meu subconsciente, o fato é que as leis que vigoram nesse país são insustentáveis, assim como o nosso comodismo. Será que algum Bin Laden terá que matar milhares de pessoas para que as autoridades se mexam, o povo se organize e reivindique por leis que melhor se encaixem com a sociedade moderna desse país doente de nascença. Será que vai precisar algum presidente acabar de vez com o país para que exijamos governantes melhores? Há pouco tempo os caras fizeram nós votarmos aquele referendum do cassete só pra desviar a atenção dos escândalos que naquele momento começaram a emergir. Por quê não fazem um desse pra que se decida em relação à pena de morte, por exemplo? Eu votaria sim e creio que muita gente também. Só que é claro que antes disso muito têm que ser mudado no sistema judiciário e é urgente que desde as penalidades em relação aos crimes mais banais até os mais escandalosos mudem. É tudo ao contrário, o sujeito que por desespero rouba uma fruta pra matar a fome cumpre uma pena igual ou maior do que aqueles que são responsáveis por crimes terríveis. Esses últimos tem mais direitos que os cidadãos que dão até a última gota do suor pra viver sofrivelmente abaixo da dignidade, sem moradia, transporte, educação e saúde à altura dos esforços que fazem. Enquanto nossa consciência for a do “jeitinho brasileiro” cada vez mais a merda se propagará. Deixa como está, sempre foi assim e sempre dá-se um jeito, tá ruim, mas tá bom. Talvez o próximo que entrar para governar seja mais bonzinho. E eu não acredito em tais milagres, ainda há os que clamam a deus por dias melhores, um deus inventado que nada tem haver com toda essa zona. Postado por :Ricardo / 0 comentários |