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[terça-feira, junho 20, 2006] Um turbilhão de loucuras passa diariamente pela minha cabeça. Penso muito na minha vida desde a infância, reflito sobre os defeitos que moram em minha alma, assim como os que foram lapidados repetidas vezes até mudarem totalmente a forma — aquela que reflete em mim explicitamente, pois sou transparente demais, apesar de ter turvado minha essência por muito tempo, mas isso é história pra outras linhas. — E também os que estão em construção, que vislumbro de forma onírica, com os pés bem longe do chão. Às vezes faltam forças pra lutar contra as sombras que tentam me levar para a escuridão. E não poucas vezes perco a noção da força que tenho, deito em nuvens tempestuosas e deixo que vórtices vindos de várias direções me guiem alucinadamente pra fora das minhas verdadeiras intenções. Calo-me. Envergonho-me e continuo calado, só ouvindo tudo que me sobrepõe. Quantas vezes a mão da insegurança me tapou a boca fortemente? E quando percebia, após dias incontáveis, quem que realmente eu era, quem era mesmo que comandava meus pensamentos e minhas atitudes? Era um pouco de todo o mundo, menos eu!
Encontros, desencontros, labirintos, quebra-cabeças, enigmas, piadas, medo, covardia, imaginação, masturbação, gozo, medo dos olhos de Deus, penitência, caridade, cegueira, insistência, teimosia, redenção, morte, vida aleijada, vive porque respira, aceitação, desistência, mentira, persuasão, pingos de sinceridade, vaidade, embriagues, vômito, arrependimento, risadas abobalhadas, sono, alarme, sangue, lágrimas, confiança, esperança, ilusão, descanso, horizonte, luar, melancolia, dissuasão, fetiches, feridas, fingimento, cansaço, amizades, inimizades, assassinato de Deus, visões proféticas do que virá a ser fantasmas, alucinações no vício do desejo vazio, caminhadas sem rumo no círculo de minhas frustrações, ecos, vozes se distanciando, mais vozes e longes, silêncio... grandioso e quase eterno silêncio... zumbidos, profunda reflexão, pela peneira só quero que passem as jóias da minha pobreza, meu mapa pra reencontrar a pátria coração. Descobertas paulatinas, pétalas florindo, abrindo-se delicadamente para mim, estou em paz com o espelho, já vejo meu olhar e entro nele, no espelho do espelho da vertigem da verdade que me acorda e acorda algo novo e cresce minha voz interior e cresce a vontade de fazer e brotam pensamentos borbulhantes da seiva que estava entalada na raiz. Quem agora é capaz de entender completamente a mim? Acho que estou começando. Acho que fiz a diferença na vida de muitas pessoas, as quais me fizeram ser diferente de todas elas. Acho que amanhã um fogo mais intenso me incendiará e sei que a fonte é única e efêmera, como eu, mas que se guia pelo brilho das estrelas. Sinto até uma certa doçura ao mover meus dedos. É que têm substâncias raras que só se misturam com as especiais. Postado por :Ricardo / 2 comentários [sexta-feira, junho 16, 2006] Lembranças
Postado por :Ricardo / 1 comentários [terça-feira, junho 13, 2006] Brasileiro, 26 anos e cada vez mais revoltado com o país. Nem o futebol que é orgulho nacional me prende a atenção. Hoje aproveitei meu tempo em casa, enquanto passava a partida, pra dormir e tocar. É um protesto pessoal e inútil, mas me recuso a assistir aos jogos desta Copa. Queria amar esse lugar, sentir vontade de torcer pelo país e tal. Queria mesmo, só que é impossível! A cada dia sinto mais vergonha de ser brasileiro. E definitivamente, futebol e bunda não representam a minha pessoa, porém sou uma exceção. Se for pra ser patriota só pelo futebol me esqueça — um a menos que diferença que faz? Deixem esse louco anormal fechar os olhos! Assim, assumo meu antipatriotismo. Como amar quem bate na sua cara diversas vezes por dia e ainda dá risada por saber que você não pode fazer nada, está de mãos atadas? Queria torcer por causas mais nobres, no entanto, morreram tais esperanças. Queria viver num lugar com pouquíssima desigualdade social, um país onde as leis fossem justas e realmente cumpridas, um lugar em que as pessoas não acabassem com o pouco que resta do verde pra enriquecer na sua breve vida sem pensar nas próximas gerações, um lugar onde pessoas não precisassem se submeter a comer lixo, sem crianças cheirando cola nas ruas pra conter a fome e o frio ou se prostituindo pra ganhar uns trocados sujos, um lugar onde alguém que mata os próprios pais pagasse pelo que fez e não comprasse a justiça, assim como os ladrões que governam o país, um lugar onde as pessoas não fossem influenciadas a amar coisas fúteis pra esquecer de toda lama em que se encontram, um lugar que... Pare, pare de divagar! Aqui nunca findará a podridão! Minha vontade é queimar a bandeira desse país! Minha vontade é que a Câmara dos Deputados sofresse um atentado de proporções bem maiores do que o da semana passada. Que o Congresso Nacional pegasse fogo... Será que adianta alguma coisa? Sei lá, mas eu gostaria de ver coisas assim acontecerem. Talvez, após a visita do Caos sobre o caos algo possa mudar pra melhor. Não sem antes deixar enormes cicatrizes...
Postado por :Ricardo / 0 comentários [terça-feira, junho 06, 2006] Ideal hematófago
Quando eu crescer desejo Ser um assassino promissor. Nasci onde um profícuo ensejo Faz crescer meu instinto de opor À toda ordem social. Dê-me uma tapa! Amém, Jamais direi como o filho do Criador. Não acredito nele e no além. Prefiro ser o Vingador E ceder ao âmago animal. Quero promover o Anarquismo No mau sentido da palavra, Já que o pessimismo Bate fortemente na aldrava Da minha mórbida consciência. A minha essência eles querem morder. E penso no ritual Antropofágico Que usarei para sorver Sangue e dilacerar de modo trágico A carne de péssima aparência. Postado por :Ricardo / 0 comentários [segunda-feira, junho 05, 2006] No Sábado, dia 03/06/06, depois de quase um ano sem tocar ao vivo, fizemos uma pequena apresentação com quatro músicas — Make Myself Sick, Save my Time, Toxicity (S.O.D.) e Against the Unforseeable — na festa que houve no CNA de Santana.
Apesar dos problemas que ocorreram, como atraso do horário combinado e o empecilho de haver somente um microfone, fiquei satisfeito com o resultado final. Na minha opinião, nos quesitos qualidade de timbres e retorno tivemos um ótimo respaldo, achei bem superior aos dos últimos lugares que tocamos. E o nível de entrosamento então! Melhorou muito, o que comprova que nosso trabalho em estúdio já está trazendo bons frutos. E tenho certeza que isso é só o começo. Cada vez acredito mais em nosso trabalho! Parabéns Goblins!!! Postado por :Ricardo / 0 comentários [quinta-feira, junho 01, 2006] O Sobrevivente Num dia escuro e frio, Quando escombros sobre o mundo Reinavam, só se ouviu O tatear constante e imundo Das baratas em toda rua Celebrando a fartura. E não era pesadelo! Eu era o único sobrevivente Naquele inacreditável modelo De um Apocalipse dormente, Sem julgamentos e nenhum réu. Só meu desespero diante tanto mausoléu. O que provocou a catástrofe imensa? Será mesmo que só estou? E nem da Morte sinto a presença! Quanto tempo passou Desde que a Terra emudeceu? Não acredito que aqui só resta Eu! O cheiro da putrefação É asfixiante e mordaz. E mesmo nessa situação A fome não dá paz! E com passos trepidantes Procuro alguns diamantes. Sim! Encontrar comida aqui É como em outrora secretos tesouros. De repente pensei em algo e estremeci! E se esses seres duradouros Forem a única solução? Será que assim meus dias se estenderão?!? E corriam por toda parte. Até voavam sobre mim. E logo agarrei um sem alarde. Ele agonizava, assim, Como eu, que preferia também ser corpo Que jaz num mundo morto! Postado por :Ricardo / 0 comentários |