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Ricardo Campanille

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    [quinta-feira, março 29, 2007]


    Consegui sair do umbral que amarrava meus dedos e meu raciocínio.
    Era uma espécie de estágio em que eu treinava insistentemente sem poder jamais chegar aonde minha vontade queria me levar.
    Nesse ínterim, de fato, estive dentro da minha crisálida metamorfoseando ininterruptamente, não conseguia completar a transformação jamais, até sentia o romper da casca, o calor da frouxa luz que queria me tocar repletamente e era tênue demais, então sumia, o pequeno vão que ameaçava abrir de repente calcificava e eu continuava preso, meio cego, mas ao menos ouvia bem, já a fala... os pensamentos sempre esbarraram no “molambo paralítico da língua”.
    No umbral via todos os meus antigos sonhos escorregarem por entre meus dedos como a areia mais fina que se possa imaginar, sonhei demais, quanta hibernação! quanta distração! E a culpa foi mais minha, aquela fraqueza que me dominava me levou ao abandono de minha essência. Recuperei-a completamente, saí do umbral, estou contente, estou vivendo o que sonhava, é claro que quero mais, agora sim posso querer, minha alma pode me levar além porque agora há interação, diria que encontrei o equilíbrio, nem mais, nem menos, somente o que precisa ser.

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