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[sexta-feira, janeiro 05, 2007] Feliz ano novo!
Só que minha saúde não vendo e muito menos a dou. É, no fim do ano passado fui surpreendido por uma terrível dor no pulso direito enquanto me dedicava ao labor diário. E, pra piorar, quem pode explicar?, quando uma desgraça nos dá sua graça ela sempre traz outras consigo, então, assim que cheguei em casa me alonguei, relaxei, peguei meu baixo, acomodei-me na cadeira e comecei a treinar. E não é que passados poucos minutos minha mão esquerda também travou! Imagina a angústia e o desespero que tomaram conta de mim! Pois é... No dia seguinte, ao trabalhar, a dor piorava à medida que eu clicava. E olha que no meu ofício são necessários incontáveis cliques. Devido ao enorme infortúnio fui ao médico, passei a trabalhar menos horas e a tocar também, bem menos. Tomei remédio, dediquei-me ainda mais nos alongamentos que eu já fazia, os quais ajudam a dor se atenuar paulatinamente, porém, mesmo assim, sempre há momentos incômodos. Quando retornei ao médico no fim de dezembro, adivinha! Ele recomendou que eu entrasse numa academia para que por meio de exercícios específicos meus músculos venham a se fortalecer. Não tem jeito, isso era algo que eu não tinha em mente, meu tempo já é restrito demais, mas não tem outra solução, começarei e desde já traço meus planos, tentarei ao máximo ser pelo menos um pouco como Fíleas Fogg para conseguir cumprir todas as minhas atividades na medida do possível, num tempo hábil que parece impossível. Sabe qual é o maior problema, o que mais me aflige? Sabe o que é realização pessoal? Responderei imediatamente às duas perguntas: desde que eu comecei a tocar baixo, isto é, quando eu tinha dezesseis anos, minha maior vontade era ser o melhor, contudo todas as circunstâncias que despontavam de todos os sentidos para a minha direção, assim como minhas escolhas, me reservaram apenas a mediocridade. E agora, respondendo à segunda, confesso que sou vaidoso — sim, agora sim assumi — e necessito de notoriedade; e ser apenas mais um que toca um pouquinho acima da média me incomoda, e muito. Quero ser bem melhor, mas tudo sempre acontece para desviar minha realização para bem longe de mim. Ninguém vive sem alimento e as minhas forças vêm sendo restabelecidas com poucas migalhas. Eu, sendo um péssimo sofista durante meus desesperados solilóquios, jamais consegui crer em meus próprios argumentos para de fato projetar meus pensamentos numa direção, talvez seja por isso que como um notívago me arrasto silencioso pelas sombras, debaixo da lua constantemente oculta por espessas nuvens e, assim, vivo num interminável sol da meia-noite, sempre a enxergar por frouxos alumiares repentinos e brevíssimos. A cada dez metros de ascensão, que levaram tempos imemoriáveis, uma queda de cinco! Tão rápida... Será que chegarei ao cume, ou ele mesmo precipitará sobre mim? Continuo respirando e olhando para cima, acumulando forças pra prosseguir até o inalcançável. Se eu chegar lá pode deixar que eu conto como é. Postado por :Ricardo / 2 comentários |