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[sábado, abril 28, 2007] Como ninguém mais visita este humilde espaço em que, mormente, reservo algumas coisas que passam pela minha cabeça, permitir-me-ei ser mais repetitivo e mais evasivo ainda em meus textos, pois além de ser minha intenção principal, ao manter este blog, postar meus monólogos interiores, há temas que permanecem latentes em minha mente, sendo que os que mais predominam são os relativos às questões existenciais, e de maneira alguma me canso de tocar nesta tecla, sou inimigo do comportamento de rebanho e um perscrutador incansável em busca de uma forma melhor de viver em sociedade do que barganhar com um ser imaginário para conseguir prosperidade em meus intentos e suportar os humanos que me causam asco, talvez eu esteja até me tornado um iconoclasta que ataca as sombras que ainda persistem dentro da minha alma, mas isso de maneira alguma importa, minha voz é apenas a de uma mosca suplicando para ser solta de dentro do copo em que foi capturada, nessa prisão de vidro ainda vê onde há pouco voava livremente e por isso se debate nas paredes. A que absurdos o desespero nos leva a pensar? O instinto se aflora sufocando a razão, faltam coragem e meios e a voz embargada no meio da garganta dissemina sua força fria e destrutiva no oco interior que quer explodir logo e ver o que sobra depois. Quantas vezes já mudei a direção das minhas inspirações? De quantos artifícios precisei para desviar ardilosamente o tridente do diabinho que me espetava sem parar? Sublimação: em que posso transformar essa vontade pouco proveitosa e que, por sua vez, é arrebatadora? Arranjava soluções repentinamente. Sem perceber ia moldando a face que o espelho não mostra, em nem quer mostrar! Só de vez em quando, como um vulto, no máximo assim. É luz demais para os olhos dos morcegos! Cansei desta simbiose em que só quem me suga é quem sai no lucro. Imolarei toda a beatitude que ainda resta para com os que não merecem. Já me imaginei empunhando um pesado, comprido e singular machado, ambas as mãos firmemente o conduz em direção aos céus com um impulso mordaz, os olhos fitam determinadamente o pescoço a ser degolado, sem piedade. A cabeça da esperança da consideração rola para dentro do cadafalso das prístinas distantes de uma ilusão pueril, repleta de comiseração, que implorou para ser guardada para sempre na profundidade abissal do esquecimento. Há tempos de paz, que quase sempre são letárgicos e tempo de desestruturação; no primeiro a felicidade toca nosso rosto e nos faz esquecer de toda a miséria que nos cerca; já no segundo, devido ao desespero diante de uma situação que parece insolúvel, não só a minha aflição preenche meu interior como me faz olhar mais para as mazelas dessa urbe cada vez mais ignorada por seus habitantes potencialmente mais egoístas a cada dia. Quero enxergar, ao menos, que o outro lado da moeda possa revelar algo melhor, contudo não vejo nada além de dias piores e, como nós humanos facilmente nos moldamos, seja para ascender como para decair, o que a imaginação considera inconcebível hoje, amanhã será a inevitável realidade, e o pior continuará a exercer sua funesta influência sobre os corações dessas pessoas que vivem porque respiram, nada mais, sem motivo, sem utilidade, sem esperança. Os que têm inclinação para aceitar respostas fáceis crêem no maléfico Deus da ignorância, que segundo as escrituras nos condenou por conquistarmos o conhecimento, e assim deixam o bálsamo da promessa pós-morte consolar — quando eu tiver no Céu estarei em paz ao lado Dele; já os que são como eu e não acreditam em nada além do que nesta vida carnal, de onde conseguem tirar forças para prosseguir, ainda mais sabendo que não passam de peças da máquina implacável do capitalismo? Trabalhar, dormir, acordar, trabalhar, dormir, acordar... qual tempo sobra pra viver? — o mínimo possível! E quando ele chega o agarramos, mesmo extremamente cansados, com todas as forças, tentando ludibriar um pouco a marcha que nos espera daqui mais algumas horas, tentando brincar de sermos o que não somos, tentando não nos tornar totalmente apenas um componente que amanhã não terá mais utilidade e nem um mínimo de lembrança da contribuição que teve para o progresso, ou melhor dizendo, retrocesso. Se não fosse o amor... ou eu me remoldaria em algo repugnante ou talvez me mataria, pois até agora não consegui saber qual sentido de tudo isso e muito menos pra que tanta insistência em existir só pra ser mais uma formiga trabalhando pra rainha.
Postado por :Ricardo / 0 comentários |