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Ricardo Campanille

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    [sábado, outubro 20, 2007]


    MUDANÇA DE VIDA – PARTE III
    Não é fácil você ter que aceitar que tudo o que foi planejado está se desmantelando. Ainda mais depois da maré positiva que vinha nos impulsionado até o dia 18/01. Fazer o quê? O jeito é replanejar.
    A esta altura do campeonato tudo já estava bagunçado. Mesmo assim não desanimamos, fomos ao cartório para marcar nosso casamento para o dia 07 de abril — para quem não sabe nós fazemos aniversário no mesmo dia. Legal, chegamos lá com nossas testemunhas (a saber, eu chamei o Duda, pois é o eu amigo de mais longa data, nos conhecemos desde os sete anos de idade; e a Renata chamou a Andréia) felizes da vida, pagamos a abusiva taxa e ficamos no aguardo dessa especial e tripla data. Não é que alguns dias depois me ligam pra falar que no dia sete não seria possível! É, teve que ser adiado pra semana seguinte. Mais uma coisa em desacordo com a nossa vontade.
    Contudo nos conformamos, pois, pensando pelo lado positivo, se alguma coisa a mais desse errado, havia tempo de reformar tudo até lá, no máximo atrasaria uma ou duas semanas nossa mudança se algum imprevisto viesse a ocorrer. Chegamos a essa conclusão porque já tínhamos levado um pedreiro de confiança pra fazer um orçamento e dar um prazo para a finalização do serviço. O cara disse que três semanas eram suficientes. Advinha! Mais uma vez, como se não bastasse, confiamos cegamente que tal data seria obedecida. — pra pegar serviço esse povo fala de tudo, coloca defeito nos outros, enaltece-se e tudo mais, só que na hora de fazer é que se vê a dolorida realidade batendo sem dó na nossa cara.
    Enquanto o dia D não chegava, ficamos no pé do gerente da Caixa cobrando toda semana a conclusão dos documentos, e o negócio ia adiando e adiando e adiando... a mulher não se mudava e chegou a data de entrega dos materiais de construção que tivemos que armazenar tudo na casa dos pais da Renata — sorte que tinha bastante espaço e boa vontade dos meus sogros para nos ajudar em tudo. A casa deles estava lotada de coisas nossas, pois tivemos que mudar também o endereço da entrega de tudo, pois venciam as datas que foram adiadas e o apartamento ainda não estava em nossas mãos.
    No penúltimo dia de março finalmente saiu a documentação. Sexta-feira. Pedi pra faltar no serviço pra resolver tudo. Cheguei logo cedo no banco que só abre às 10h, a velha também e lá fomos nós pra ler e depois assinar a papelada. Tudo assinado, mas ainda faltava o balde de água fria: a mulher ainda não tinha achado um apartamento e disse que não sabia quando ia nos entregar a chave. Ainda bem que fizemos um contrato que nos assegurava um prazo, mas demorou mais um mês pra ela se mudar.
    Nisso casamos e estávamos ainda vivendo como namorados, porém com uma puta ansiedade, todo dia esperando o telefone tocar pra recebermos a notícia que já podíamos buscar a chave, porém esse dia não chegava. Além disso, certa vez liguei pra praga e tretamos porque ela disse que ia ficar mais um mês! E essa discussão se sucedeu já na metade de abril. Então, dias depois conversando com o Sandre sobre o problema ele me passou o telefone do cunhado dele, o Renato, que trabalha em imobiliária e conhece bem os procedimentos legais para tais situações. Ele me orientou pacientemente e o contrato era claro, se ela não nos entregasse a chave naquele mês teria que pagar uma salgada multa. A Renata ligou pra ela, conversou a respeito e no último dia de abril nos foi entregue a bendita chave.
    E nem desconfiávamos que um novo desconcertante episódio estava pra acontecer: A reforma!

    Postado por :Ricardo /

    [quarta-feira, outubro 17, 2007]


    MUDANÇA DE VIDA – PARTE II
    Vou começar uma narração um tanto quanto melancólica, pois se trata da sucessão de problemas ocorridos desde a compra de nosso imóvel até o término de sua reforma.
    Não que nesse espaço de tempo não tenha acontecido nada de bom, mas o que quero ressaltar são justamente os empecilhos. Para que assim eu jamais esqueça que não foi nem um pouco fácil conquistar toda a felicidade que hoje nos ilumina.
    Então, sem mais demora começo:
    A entrada da papelada pro financiamento se sucedeu no dia 18/01/07. Como já foi dito que nos foi prometida em um mês a conclusão dos documentos, começamos logo no fim de semana que seguiu a procura por móveis e materiais de construção, pois escolher a decoração da casa é algo demorado, ainda mais quando se trata de dois arianos escolhendo, embora tenhamos gostos muito parecidos somos indivíduos que detêm personalidade e opiniões fortes. Esta parte de visitar lojas e mais lojas e a cada olhar sobre os mostruários que luziam para o nosso gosto vislumbrar como ficaria a casa depois de pronta foi boa, a parte ruim foi que fazendo isso dentro de duas semanas escolhemos, compramos e marcamos a data de entrega para o fim de fevereiro, pois a ex-proprietária tinha dito que se mudaria antes da documentação ficar pronta e que poderíamos então começar a fazer todas as mudanças que planejamos dentro dele, mas como também já foi dito isso não aconteceu.
    Passaram-se duas semanas e pouquinho e recebemos a derradeira notícia de que a velha não se mudaria mais porque tinha dado errado a negociação dela, então ela teria que procurar outro apartamento. Até aí o nervoso não foi tanto, o que assomou foi a decepção, pois nossa expectativa fora apunhalada na raiz. O pior ainda estava a nos espreitar e nem desconfiávamos. Chegou a última semana e nada do gerente nos ligar pra dar algum sinal de vida. Liguei para o mesmo que me deu a notícia que o banco estava sobrecarregado e que poderia demorar mais um mês, que não dependia dele e outros dizeres de isenção de culpa. Agora sim bateu o desespero, tive que sair ligando pra todas as lojas pra conseguir adiar as datas para o mês seguinte. Parece que não é nada, mas ter que resolver problemas pessoais no horário de serviço é uma merda, fica todo mundo prestando atenção na sua conversa pra ter assunto mais tarde, de preferência quando você estiver ausente, pra se alegrar porque está vendo alguém se fodendo. Fora que o meu serviço também estava altamente sobrecarregado, minha cabeça fervendo com as pressões de prazo e eu tinha que parar toda hora pra tentar resolver os impasses. Tem hora que você liga aí te empurram pra outra pessoa e assim por diante, definitivamente não foi tão fácil como as palavras frias fazem parecer.

    Postado por :Ricardo /

    [terça-feira, outubro 16, 2007]


    MUDANÇA DE VIDA – PARTE I
    Depois de longa peregrinação por várias ruas do centro da cidade (lugar que por mútuo consenso queríamos morar) só achamos apartamentos velhos, caros e barulhentos. Quando estávamos a um passo de desistir daquela região encontramos um anúncio no jornal que estava dentro de nossas expectativas orçamentárias e num lugar bem próximo de onde era o nosso foco. Visitamos e gostamos, apesar das mudanças que logo de cara vimos que teríamos que fazer para que o lugar fosse adaptado ao nosso estilo de vida e ao nosso gosto estético.
    Pois bem, depois de negociar com a ex-proprietária fizemos toda aquela correria burocrática. E nem o que foi combinado com a mesma foi cumprido, nem o que o gerente da Caixa disse. Este prometeu (santa ingenuidade! Acreditar em promessa!) que em um mês toda a papelada estaria pronta; já a primeira, entrou num acordo que se nós pagássemos adiantado a quarta parte do valor total do imóvel, ela se mudaria dentro de no máximo três semanas, então ela nos entregaria o imóvel antes mesmo da Caixa liberar o valor total do empréstimo. Porém, ela não conseguiu comprar o apartamento que tinha em mente porque o proprietário mudou de idéia e colocou um inquilino nele. E nós nos ferramos, pois tiramos o dinheiro, que estava numa aplicação, prematuramente por confiar nela, que por sua vez confiou em terceiros e, enfim, tomamos o primeiro prejuízo, pois com a demora que levou pra Caixa liberar tudo, esse dinheiro teria rendido consideravelmente se continuasse aplicado até o término do trâmite.
    Mas como a alegria reinava nos primeiros dias que sucederam o negócio fechado, com tudo dentro dos conformes, começamos a procurar móveis, eletrodomésticos, mãos-de-obra pra executar a reforma e tudo o mais, sem desconfiar que a maré de tudo às avessas estava chegando. Nossa intenção era casar no civil, sem festas, sem esses chás não sei das quantas ou coisa parecida, só nossos pais, irmãos, avós, padrinhos e ninguém mais na cerimônia breve do cartório. Queríamos mudar logo, estávamos eufóricos pra romper nossa crisálida e voar em outros campos, então decidimos: já que tudo vai se resolver em um mês, vamos começar a correr atrás de tudo, marcar o casamento no dia do nosso aniversário (o que não foi possível, por causa da droga de um feriado), que o apartamento já estará prontinho pra morar até abril, a reforma não vai demorar mais de um mês. — oh, doce ilusão! Quem disse que uma reforma se faz tão rápido assim, além do mais, para a nossa prolongada decepção a chave do apartamento só nos foi entregue na última semana de abril, ou seja, já estávamos casados desde o dia 14 do mesmo mês.
    É, demorou tudo isso! O que fez com que nossa união matrimonial ficasse parecida com um namoro, pois tivemos que ficar ainda morando cada um na casa dos respectivos pais.
    Paralelo a tudo isso houve uma transformação na vida da Renata, pois a rede de restaurantes que ela trabalha tinha aberto mais uma casa e, conseqüentemente, ela foi transferida pra mesma e com um acúmulo de obrigações fora do comum. E como se não bastasse começou a ter que levantar mais cedo ainda e a sair mais tarde. Só pra ilustrar uma situação, no dia da inauguração tive que pegá-la meia-noite, sendo que era um sábado, dia que ela trabalha até no máximo às 14h. E no dia do show do Arch Enemy? O Ênio lembra! Ela chegou no carro chorando, já estava quase na hora e ela não podia sair do restaurante, sorte que estávamos lá perto!
    Já eu, me encontrava na abstinência forçada de tocar, primeiro por causa da minha tendinite. Estava fazendo musculação como o médico havia recomendado, melhorei em pouco tempo, no entanto, minha vida mudou tanto com as muitas coisas que estavam envolvidas com nosso casamento que naquele momento deixei de ter tempo de tocar e tempo de curtir a minha metade, só trabalhava, comia e dormia; portanto estava enlouquecendo. Passamos a nos desentender como nunca frente aos problemas que surgiam diariamente, cada hora era uma coisa que dava errado.
    Mas pra conquistar grandes sonhos é preciso persistência, amor e saber que é necessário abrir mão de algumas coisas temporariamente, mesmo que sejam muito valiosas, todos obstáculos são testes que desafiam nossa vontade e se os vencemos podemos sim encontrar o pote de ouro além do arco-íris e alcançar muitos outros valores.

    Postado por :Ricardo /

    [quarta-feira, outubro 10, 2007]


    MUDANÇA DE VIDA – INTRODUÇÃO
    Muitas pessoas que conheço nem sabem que agora tenho uma nova vida. Quero contar, de acordo com os resquícios de minhas lembranças, os acontecimentos vivazes que culminaram desde o início deste ano.
    Faço isso tardiamente por causa das sucessivas e inesperadas tempestades que me deixaram ilhado num lapso de tempo relativamente grande.
    Desde janeiro uma verdadeira reviravolta despontou, fez uma poeira e um estardalhaço incríveis, e eu nada registrei, não por falta de vontade, muitas vezes ousei reclamar da escassez do meu tempo, sendo que eu nem imaginava o que era de fato escassez. E aprendi sentindo na pele.
    Darei início a esta novela, que não podendo fugir da regra, teve seu percurso bem intrincado e um desfecho muito feliz.
    Primeiro é imprescindível que eu passe rapidamente por 2005, ano que comecei a namorar a Renata.
    Bem, quem acompanha meus textos, assim como as pessoas que convivo, sabem que a paixão que experimentei fez minhas perspectivas em relação ao amor mudarem diametralmente.
    Toda a filosofia anti-união que eu desenvolvera foi dissipada pelo calor que inflava meu coração. Esse órgão me guiou veementemente. Não há como parar de pensar na pessoa que colocou nele tão poderoso combustível de sensibilidade.
    E nosso relacionamento desde o primeiro beijo se aquecia cada vez mais que logo a incluí nos meus planos futuros. Antes de conhece-la eu tinha a intenção de morar sozinho, seguir minha vida como adulto, longe das asas dos pais. Só tinha que juntar um dinheiro pra por em prática meu intento. Não dava pra esperar muito mais tempo, pois desde criança eu dividia o quarto com meu irmão e já estava insuportável aquela situação, por causa das nossas divergências de gostos, o espaço, a privacidade etc. Então, certo dia pensei: por que não perguntar se ela não quer viver comigo? Pois, minhas idéias, dadas as surpreendentes sensações que eu estava experimentando, mudaram; já não queria morar só, mas sim com a pessoa que amo! Conversamos a respeito e a conclusão é óbvia: começamos a planejar tudo e a fazer nossas economias — se não me engano no nosso quarto mês de namoro. E aquela história de que o universo conspira a favor quando queremos muito alguma coisa se mostrou empírica, foi incrível, tudo começou a dar tão certo em nossas profissões que conseguimos juntar mais dinheiro do que estava no planejamento.
    É aí que começa a saga.
    Nós decidimos que por bem deveríamos começar a procurar um apartamento logo no primeiro mês deste ano, imaginando que demoraríamos meses pra achar. Porém por mais que planejamos algo, jamais o alcançamos no tempo pressuposto, além de que as oportunidades sempre surgem aonde e quando menos esperamos. Resultado: encontramos, logo nesse mesmo mês, um apartamento que achamos ideal, num lugar que igualmente tivemos a mesma sensação e, portanto, adiantamos a aquisição de nosso imóvel com as nossas economias adicionadas de um financiamento. Só que esse mencionado lugar carecia de uma reforma considerável, o que nos causou extremo nervosismo e angústia devido às exageradas adversidades que ocorreram, parecia que nosso lar nunca ficaria pronto, tudo dava errado, gastamos bem mais que nosso orçamento permitia, tivemos que nos desdobrar até as últimas gotas de nossas forças pra contornar tantos problemas.
    Mas tudo foi uma lição enorme, nos libertamos do orgulho, acho que eu, particularmente, aprendi a ver diversos aspectos da vida por outro prisma e, conseqüentemente, tudo isso me vez crescer e ser uma pessoa melhor.
    Nas próximas postagens contarei toda a história, pois é longa e se eu apresenta-la de uma vez ninguém terá paciência pra ler.

    Postado por :Ricardo /

    [segunda-feira, outubro 08, 2007]


    Meus domingos há bastante tempo são bem rotineiros. No entanto, ontem foi bem diferente e muito bom.
    Durante a manhã saí pra trotar com minha esposa no “minhocão”, sendo que ela se saiu muito bem na sua primeira tentativa, pena que o sol forte atrapalhou um pouco, contudo nosso trajeto foi muito prazeroso.
    Depois, no almoço, ela preparou um risoto com camarão... huuum... excelente, esplendido, maravilhoso, divino, e todos adjetivos do gênero que se pode qualificar algo deliciosamente fora do comum. Tudo que a Renata faz é perfeito!
    Tínhamos planejado à tarde ir ao Manifesto, sendo que eu fui mais pra ver o Dr. Sin cover, cujo baterista é nada mais nada menos que o Ênio e é sempre inspirador vê-lo tocar. Já a Renata queria ver também a Tropa de Choque, porque um camarada dela é o baixista.
    Então, logo após o almoço e todas as arrumações domésticas, dedicamo-nos a nos arrumarmos e eu retribuindo o tratamento de beleza que a Renata fez em mim no dia anterior (dando um jeito no meu teimoso cabelo que adora me contrariar) me arrisquei a maquia-la, e não é que me saí bem! É claro que com ela me auxiliando, falando como eu tinha que proceder e tal, pois ela sempre tem idéias de muito bom gosto e eu uma inclinação por tais afazeres! Todas nossas trocas têm sido fantásticas.
    E saímos de casa umas 16h40. Chegamos lá bem cedo, primeiro que todos que fariam parte do público. Paramos alguns segundos diante do lugar que se encontrava fechado, pensando no que fazer até às 19h, já que era o horário da abertura da casa. E não é que o Jadyner (baixista do Dr. Sin cover) logo abriu a porta, se espantou com nossa aparição adiantada, sorriu, veio nos cumprimentar e nos convidou a entrar, o que aceitamos prontamente.
    Pouco tempo depois apareceu o Edilmer (guitarrista do Dr. Sin cover), depois o vocalista da mesma banda e depois o Ênio e a Gláucia. Conversamos bastante, esperamos bastante também até começar, pois atrasou bem, como é sempre comum em shows.
    Encontrei o Batata, que tinha muito tempo que não conversávamos e ele está muito bem, vivendo praticamente de música e acabou me inspirando, dando-me um novo alento, eu sei que é possível que eu me enverede por esse caminho também, na verdade, é o meu sonho profissional.
    E passei momentos maravilhosos junto com minha esposa, que sempre me fascina, assim como passei com meus amigos, que além de tudo são ótimos músicos.
    E só um adendo: os caras do Dr. Sin cover me surpreenderam, mesmo que eles falaram que erraram algumas partes que eu nem percebi; e olha que eu ouvi muito aquelas músicas entre meus 17 e 20 anos!
    Tivemos que sair de lá umas 22h45 porque dependíamos de ônibus e metrô e o horário do último que é o mais preocupante — não ia ser nada bom voltar mais de meia-noite a pé do Terminal Bandeira até a estação Marechal Deodoro. Conclusão: a Renata acabou mais uma vez deixando de ver a banda de seu amigo.
    Chegamos a casa quase meia-noite e fomos dormir poucos minutos mais tarde que isso. Fim do domingo e poucas horas de sono até o amanhecer, mas valeu a pena.

    Postado por :Ricardo / 1 comentários