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[sexta-feira, janeiro 25, 2008] Não posso afirmar com precisão, mas acho que foi em 2001 que comecei a praticar corrida de rua.
O porquê eu vou dizer já. Desde moleque, como quase todos, eu jogava meu futebolzinho. Nunca fui uma pessoa de destaque no esporte, contudo eu gostava. Acho que esse gostar veio da influência que normalmente nós brasileiros sofremos. Além do mais tive uma infância muito agradável, meus pais se esforçaram muito e conseguiram comprar um apartamento que cujo condomínio é constituído por piscina, parquinho, salão de festas e quadra. Então imagine, toda a garotada adorava essa última dependência, mais do que as outras. E nela joguei por muitos anos da minha vida com meus amigos. Além do futebol sempre gostei de muitos outros esportes: volleyball, andar de bicicleta, nadar, skate e patins. Enfim, nunca passei um período de tempo muito longo sem praticar pelo menos uma dessas atividades físicas. Sei que sou medíocre em cada uma delas, mas como já disse, gosto de todas. Depois dos dezoito anos a vida do pessoal que sempre tive amizade começou a ter mudanças mais significavas, sejam namoros, empregos, estudos ou alguma outra circunstância. Só que devido a tudo isso eu já não podia praticar esses esportes coletivos com as pessoas que eu gostava. Como ariano sei que tenho algumas características imutáveis e uma delas é que as coisas que eu gosto eu só faço com quem gosto, portanto parei de jogar futebol porque ninguém mais jogava, assim como volley, na época eu estava sem bicicleta, já tinha passado meu interesse por skate, meu patins eu tinha vendido por falta de companhia, a piscina do prédio tendo só 10m tornava qualquer tentativa de treino muito pouco estimulante e eu estava sem grana para entrar numa academia. Alguma coisa eu tinha que fazer, então um dia conversei sobre tudo isso com o Duda, que sempre foi um ótimo esportista e um dos meus melhores amigos. O mesmo me propôs a corrida de rua. Topei, mas achei que não conseguiria correr nem 300m, pois eu imaginava que era muito mais difícil do que realmente é. Comecei bem lentamente. E com o tempo meu prazer em fazer isso foi se acentuando, assim como minha resistência física. Chegou uma época, acho que por volta de 2003, que eu corria umas três ou quatro vezes por semana e pelo menos um dia da semana eu corria uns 10km. Mas nos últimos quatro anos regredi, comecei a tomar mais bebidas alcoólicas do que de costume, a sair mais pelas madrugadas e consequentemente treinar bem menos, coisa de uma vez a cada duas semanas. E todo mundo sabe que quando você perde o ritmo de qualquer atividade pra recuperá-lo não é fácil. No entanto, desde que me mudei comecei a treinar todo domingo e comecei a perceber que estou bem fisicamente, com uma boa resistência para quem não estava treinando tão ativamente. E por outro lado, meu costume de beber me trouxe uma conseqüência estranha: passei a ter uma resistência muito grande em alcançar mudanças de estado de consciência e ultimamente nem tenho sentido nada ao ingerir bebida alcoólica. Isso tudo somando com a cobrança que a Renata faz para que eu não beba todo dia me fez ir parando paulatinamente de beber desde que casamos. O ano passado o Sandre correu na São Silvestre e isso me deu um estalo: por que você não se interessou em fazer a inscrição? Você também consegue! E essa voz de consciência não me abandonou mais. Só que eu ainda não tinha um estímulo suficiente pra usá-lo como estopim. Entre homens há um espírito de competição natural, coisa de testosterona eu acho, perdoem-me se estou escrevendo besteira. Em suma, o fato de uma cara que bebe cerveja todo dia ter tomado essa iniciativa foi um tapa na cara pra mim. E foi o estímulo que faltava, ainda mais depois de ter conversado com ele a respeito do meu interesse de participar desse tipo de evento. Mas com minhas preocupações de casado não fui atrás de nada disso, pois ainda não aprendi a me organizar bem nessa nova vida. Até que inesperadamente ele me ligou pra dizer que haveria uma corrida no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. Inscrevi-me. E aguardei com um pouco de ansiedade, pois ultimamente eu estava treinando uns cinco ou seis quilômetros e achei que não estava exatamente preparado. No domingo passado corri 10km, foi bem cansativo, pois dei o máximo de mim e fiz esse percurso em mais ou menos 55min. Hoje corri. Fui só, já que o Sandre na noite de ontem resolveu ir a um aniversário e não pode comparecer ao evento. Cheguei atrasado, o ônibus que eu peguei saiu do terminal 7h45mim e a corrida começava às 8h. estava ansioso, quando o “busão” chegou perto do parque falei com o cobrador e desci no semáforo, fui correndo uns 500m até o guarda volumes, fui ao banheiro, fiz alongamento e quando comecei a correr a corrida já estava acontecendo havia 10m. Consegui repetir o tempo do meu último treino, porém fiquei menos dolorido e com mais vigor físico e estou muito empolgado por ter completado a prova em menos de uma hora, já que estou treinando tão pouco. Hoje decidi mudar algumas atitudes, pois quero correr mais e mais e sei que tenho capacidade pra conseguir fazer tempos melhores. A partir dessa semana começarei a treinar pelo menos duas vezes por semana, além de resumir meu hábito de “beber” somente a circunstâncias comemorativas, já que não faz efeito e muito menos bem pra saúde, são hábitos que acabamos herdando de nossas companhias, mas que nem por isso são bons. Acredite, correr me extasia mais do que uma bebedeira, algo que nunca mais quero viver. E como extremista que sou não duvido nada que qualquer dia desses eu não decida parar completamente, como já fiz antes e fiquei um ano sem botar uma gota de álcool na boca. Run Forrest, run! Postado por :Ricardo / 1 comentários |