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[segunda-feira, março 10, 2008] Desilusão
Escutei... Muitas vezes aquela música que me tocou desde o primeiro instante. Eu queria fazer minha parte já, sem mais protelações, era assim que eu gostaria de viver todos os dias, mas meu querer está predominantemente aquém do meu refúgio e nele permaneço sem poder abrir minhas asas como gostaria. Sequer posso voar, faz tempo que me sinto numa gaiola, cantando majestosamente no meio do deserto, longe de qualquer ouvido. Entrei naquela atmosfera sombria e busquei dentro de mim os sons da sombra. Só quis me guiar naquelas trevas com o auxílio de uma tênue luz chamada campo harmônico, fui tateando e seguindo em frente, achei meu campo de repouso e parei de pensar e passei somente a ouvir minha intuição musical, todos as notas se comunicavam de acordo com o sentimento que havia me despertado aquela criação. Achei tudo perfeito, o nome, a intenção de seu uso, sua força; e me entreguei de peito aberto, deixei minha alma voar em cada nota e voltar pra soprar em meus ouvidos o que meus dedos produziriam no baixo. Horas passaram-se, horas noturnas onde meu sono queria me vencer a qualquer custo, onde eu sabia que o dia seguinte repleto de responsabilidades me aguardava, então ignorei minha consciência e ouvi somente minha transcendência. E no meu parecer transcendi, pois consegui transportar as notas da minha imaginação pro plano físico. Chegando meu tão esperado Sábado fiz de tudo pra conseguir gravar minha idéia. Meus recursos são mínimos em termos de equipamento de gravação, mas consegui transferir pelo menos uns setenta por cento do que soam as notas quando toco ao vivo. O resultado foi fruto de uma manhã de trabalho que me deixou orgulhoso, mesmo sem ter conseguido alcançar a perfeição, afinal de contas agora era possível mostrar minha criação. Quis mostrar a todos os interessados e o que recebi foi um silêncio que entendi como desprezo. Agora me sinto tolhido de continuar trabalhando nessa música. Desilusão: essa é a palavra que martela a cada segundo na minha cabeça. O triste é que quando recebi os e-mails na quinta-feira, li os comentários, ouvi a gravação do Ênio, isso me inspirou tanto que logo pensei num outro contexto pra arte visual, borbulhavam idéias no meu intelecto. Mas despencou uma enorme estalactite no centro da veia da minha inspiração. Pode parecer patético, mas o silêncio me causou uma profunda dor e não é a primeira vez que isso acontece. Isso é muito pior do que a possível verdade de quem ninguém gostou, mas o que custa uma só palavra? E como não quero começar uma lúgubre discussão, apenas escrevo minhas angústias pra tentar torná-las mais fracas, pra tentar expulsá-las do meu peito. Ainda estou procurando entender qual é a lição que tenho que aprender com essa dor... Pelo menos, ontem eu consegui escrever um poema que adorei. Nunca algo que escrevi me tocou tanto, talvez só eu o entenda plenamente, já que são meus aterradores sentimentos vestidos de palavras. Postado por :Ricardo / 0 comentários |