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[terça-feira, janeiro 29, 2008] Quem tem a melhor receita de como ser bem sucedido?
Acredito que ninguém tenha. Pra cada um uma história, pra cada história suas peculiaridades, pra cada peculiaridade seu segredo, seu ínfimo e íntimo desejo. Quero chegar até lá, assim como mais uns cem mil números de pessoas, mas não estou numa batalha com ninguém, não disputo nada, só quero chegar lá de acordo com meus passos, de acordo com o que eu quero mostrar da minha alma. Estou acelerando o ritmo do meu caminhar, mas ainda só vejo o horizonte, nem um esboço ao fundo da paisagem que possa me mostrar que estou seguindo o rumo certo, mas sigo em frente porque estou ouvindo a voz interior e eu acredito nela, acredito que por esse caminho que ninguém quer seguir é que vou chegar lá. Luzes apagadas, todos passeando no mundo onde só o impossível acontece e eu viajando pela melodia do possível, de olhos semicerrados a procurar o próximo repouso, mais um dominante, cinco de dois, mas volto ao mais simples, não preciso pensar, só seguir o fluxo da seqüência que transita em minha imaginação sonora. Sinto e toco na mesma região, alternando as possibilidades dentro de uma opção, soa bonito, toca minha alma, ela quer se expandir no meu peito, sai pela minha boca e volta acariciando-me o estômago. Tudo vira uma sensação só, condensada, volumosa e singela ao mesmo tempo. Quando percebi já tinha passado horas, ainda não tenho certeza. E aprecio, só aprecio no repouso debaixo da lua neste céu aberto de estrelas ocultas pelas luzes da cidade. É apenas o começo da viagem. Eu parado e meus pensamentos voando muito além, voam tanto que não há tempo para entedê-los, só para observá-los da minha distância silenciosa. Postado por :Ricardo / 2 comentários [segunda-feira, janeiro 28, 2008] Acho que todas as pessoas, por mais que professem não serem preconceituosas, algum dia já tiveram algum preconceito ou acabam despontando algum mesmo que sem perceber.
Eu já fui preconceituoso em muitos aspectos que hoje dou risada de tão ridículo que pude ser. Mas tudo tem sua época, quando eu era criança não costumava pensar muito sobre o que os outros falavam, simplesmente eu absorvia e ia constituindo uma maneira de agir de acordo com as das pessoas que faziam parte do meu ciclo social. Com o tempo fui acabando com todos os meus preconceitos bobos, aprendendo a ser mais tolerante, a respeitar a individualidade de cada um e a minha, pois criei alguns bloqueios porque me preocupava demais com a opinião da maioria, que já estavam arraigadas na minha memória por anos. Nem sempre é fácil se libertar. De vez em quando ainda me entrego ao sentimento de julgar o todo por causa de alguns indivíduos que fazem parte dele. Meu mais recente preconceito é em relação aos judeus. No entanto, não acho que seja totalmente um preconceito, já que algumas situações me deram a possibilidade de formar pelo menos a sombra de um conceito sobre aqueles que me causam asco no momento. Ainda mais quando se trata de um povo que segue uma forte tradição, de forma que não se comportam de outra maneira senão de acordo com seus ditames. Onde estou morando há muitos judeus. Eu nunca havia travado contato com nenhum antes de me mudar. E teria sido melhor nunca tê-lo feito, pois não tive boas experiências com eles. Ao menos os poucos que tive contato me demonstraram extrema arrogância, além de serem absurdamente mal-educados e anti-sociais. Só porque esses filhos da puta têm um poder aquisitivo alto se acham melhores do que os outros. Pra mim são todos uns doentes! Eis meu preconceito em relação a eles. Talvez seja só um reflexo do ódio que um certo número me fez sentir e acabou vertendo para o todo. A única coisa que eu parava pra pensar às vezes em relação a eles é que eles sofreram desnecessariamente na Segunda Guerra Mundial por causa de um louco. Mas minha opinião mudou, agora compactuo com o anti-semitismo do Hitler. Acho que eles mereceram todos aqueles danos oriundos do holocausto e não sinto um pingo de dó deles. Hitler poderia até ser louco por ter colocado em prática o desejo mordaz que seu ódio inspirava, mas acredito que tinha razões no mínimo plausíveis pra ter feito o que fez. Um povo tirano que inventou um deus tirano e vive até hoje sob a sua sombra perversa. Eles sim carregam um forte preconceito em relação a qualquer coisa que não faça parte do mundinho deles. Um mundinho que eles criaram e vêm se auto-destruindo durante séculos, talvez se o paranóico que inventou a história de povo escolhido jamais tivesse cometido tal desvario muitas guerras teriam sido evitadas. Postado por :Ricardo / 0 comentários [sábado, janeiro 26, 2008] Quando eu tinha escrito aqueles posts contando a história de meu casamento, no fim do último prometi escrever sobre todos os infortúnios que passamos durante a reforma.
Quero me desculpar para quem porventura estava esperando que eu cumprisse minha promessa, pois eu decidi quebrá-la. Na época queria escrever, mas não tinha tempo, já que sou muito detalhista. Sabia que quando eu começasse precisaria de pelo menos uma hora na frente do computador e eu não tinha essa uma hora disponível. Agora acho que não vale a pena ficar mexendo nas feridas do passado, pois estando feliz no presente por que eu me interessaria em forçar lembranças ruins para escrevê-las? No fim deu tudo certo. E está dando certo, não lembro de nunca ter percebido tantas mudanças como desde que casei e tudo que estou vivendo está me fazendo ter outras atitudes, está me despertando novas visões e perspectivas, assim como outros interesses, outras percepções a meu respeito. E é claro que tudo isso vem acompanhado de muitos outros fatos e é tudo isso que prefiro escrever daqui por diante. Tudo que eu sempre quis viver aos poucos vai se desabrochando e todas as minhas paixões vêm se reforçando. E eu me considero muito sortudo por ter alguém do meu lado que me apóia em tudo que eu faço. E com ela eu tenho vivido muitas situações maravilhosas, contornando os problemas que surgem e aprendendo diariamente. Postado por :Ricardo / 0 comentários [sexta-feira, janeiro 25, 2008] Não posso afirmar com precisão, mas acho que foi em 2001 que comecei a praticar corrida de rua.
O porquê eu vou dizer já. Desde moleque, como quase todos, eu jogava meu futebolzinho. Nunca fui uma pessoa de destaque no esporte, contudo eu gostava. Acho que esse gostar veio da influência que normalmente nós brasileiros sofremos. Além do mais tive uma infância muito agradável, meus pais se esforçaram muito e conseguiram comprar um apartamento que cujo condomínio é constituído por piscina, parquinho, salão de festas e quadra. Então imagine, toda a garotada adorava essa última dependência, mais do que as outras. E nela joguei por muitos anos da minha vida com meus amigos. Além do futebol sempre gostei de muitos outros esportes: volleyball, andar de bicicleta, nadar, skate e patins. Enfim, nunca passei um período de tempo muito longo sem praticar pelo menos uma dessas atividades físicas. Sei que sou medíocre em cada uma delas, mas como já disse, gosto de todas. Depois dos dezoito anos a vida do pessoal que sempre tive amizade começou a ter mudanças mais significavas, sejam namoros, empregos, estudos ou alguma outra circunstância. Só que devido a tudo isso eu já não podia praticar esses esportes coletivos com as pessoas que eu gostava. Como ariano sei que tenho algumas características imutáveis e uma delas é que as coisas que eu gosto eu só faço com quem gosto, portanto parei de jogar futebol porque ninguém mais jogava, assim como volley, na época eu estava sem bicicleta, já tinha passado meu interesse por skate, meu patins eu tinha vendido por falta de companhia, a piscina do prédio tendo só 10m tornava qualquer tentativa de treino muito pouco estimulante e eu estava sem grana para entrar numa academia. Alguma coisa eu tinha que fazer, então um dia conversei sobre tudo isso com o Duda, que sempre foi um ótimo esportista e um dos meus melhores amigos. O mesmo me propôs a corrida de rua. Topei, mas achei que não conseguiria correr nem 300m, pois eu imaginava que era muito mais difícil do que realmente é. Comecei bem lentamente. E com o tempo meu prazer em fazer isso foi se acentuando, assim como minha resistência física. Chegou uma época, acho que por volta de 2003, que eu corria umas três ou quatro vezes por semana e pelo menos um dia da semana eu corria uns 10km. Mas nos últimos quatro anos regredi, comecei a tomar mais bebidas alcoólicas do que de costume, a sair mais pelas madrugadas e consequentemente treinar bem menos, coisa de uma vez a cada duas semanas. E todo mundo sabe que quando você perde o ritmo de qualquer atividade pra recuperá-lo não é fácil. No entanto, desde que me mudei comecei a treinar todo domingo e comecei a perceber que estou bem fisicamente, com uma boa resistência para quem não estava treinando tão ativamente. E por outro lado, meu costume de beber me trouxe uma conseqüência estranha: passei a ter uma resistência muito grande em alcançar mudanças de estado de consciência e ultimamente nem tenho sentido nada ao ingerir bebida alcoólica. Isso tudo somando com a cobrança que a Renata faz para que eu não beba todo dia me fez ir parando paulatinamente de beber desde que casamos. O ano passado o Sandre correu na São Silvestre e isso me deu um estalo: por que você não se interessou em fazer a inscrição? Você também consegue! E essa voz de consciência não me abandonou mais. Só que eu ainda não tinha um estímulo suficiente pra usá-lo como estopim. Entre homens há um espírito de competição natural, coisa de testosterona eu acho, perdoem-me se estou escrevendo besteira. Em suma, o fato de uma cara que bebe cerveja todo dia ter tomado essa iniciativa foi um tapa na cara pra mim. E foi o estímulo que faltava, ainda mais depois de ter conversado com ele a respeito do meu interesse de participar desse tipo de evento. Mas com minhas preocupações de casado não fui atrás de nada disso, pois ainda não aprendi a me organizar bem nessa nova vida. Até que inesperadamente ele me ligou pra dizer que haveria uma corrida no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. Inscrevi-me. E aguardei com um pouco de ansiedade, pois ultimamente eu estava treinando uns cinco ou seis quilômetros e achei que não estava exatamente preparado. No domingo passado corri 10km, foi bem cansativo, pois dei o máximo de mim e fiz esse percurso em mais ou menos 55min. Hoje corri. Fui só, já que o Sandre na noite de ontem resolveu ir a um aniversário e não pode comparecer ao evento. Cheguei atrasado, o ônibus que eu peguei saiu do terminal 7h45mim e a corrida começava às 8h. estava ansioso, quando o “busão” chegou perto do parque falei com o cobrador e desci no semáforo, fui correndo uns 500m até o guarda volumes, fui ao banheiro, fiz alongamento e quando comecei a correr a corrida já estava acontecendo havia 10m. Consegui repetir o tempo do meu último treino, porém fiquei menos dolorido e com mais vigor físico e estou muito empolgado por ter completado a prova em menos de uma hora, já que estou treinando tão pouco. Hoje decidi mudar algumas atitudes, pois quero correr mais e mais e sei que tenho capacidade pra conseguir fazer tempos melhores. A partir dessa semana começarei a treinar pelo menos duas vezes por semana, além de resumir meu hábito de “beber” somente a circunstâncias comemorativas, já que não faz efeito e muito menos bem pra saúde, são hábitos que acabamos herdando de nossas companhias, mas que nem por isso são bons. Acredite, correr me extasia mais do que uma bebedeira, algo que nunca mais quero viver. E como extremista que sou não duvido nada que qualquer dia desses eu não decida parar completamente, como já fiz antes e fiquei um ano sem botar uma gota de álcool na boca. Run Forrest, run! Postado por :Ricardo / 1 comentários [sábado, janeiro 19, 2008] Quando eu tinha muitos amigos que gostavam de música como eu, eu treinava meu instrumento e quando eu tirava uma música não via a hora de mostrar pra eles.
Quando eu comecei a tocar baixo parece que me identifiquei de tal forma com esse instrumento que sempre cativei os ouvidos de quem me escutava, sempre recebi elogios, desde o início, no entanto sempre procurei melhorar, porque sabia que pra chegar aonde eu queria era preciso muito mais. Passei por algumas circunstâncias que me fizeram manter uma distância maior do que eu gostaria de meu instrumento. Porém, neste ínterim fui amadurecendo, minhas percepções foram se lapidando, meus gostos foram reforçados nas minhas raízes. E minha tendinite agora se entende com meu instrumento. Agora toco muitas músicas que eu gosto de uma maneira que fico orgulhoso. Mas meus velhos amigos já não podem mais me ouvir, talvez nem queiram mais, suas vidas também tomaram rumos diversos. Sempre sinto falta de mostrar o que eu sei pra eles que acompanharam parte do meu progresso. Eu provei um pouco disso essa semana. Minha irmã veio me visitar, conversamos muito, foi bom, matei minha saudade, uma saudade que nunca experimentei em relação aos entes da minha família. A longa distância desperta esses sentimentos. Depois de muito conversarmos, mostrei a ela uma música que compus no baixo, não consegui tocá-la bem, estava extremamente cansado, além de que ainda não tinha treinado suficientemente bem para poder fazê-lo. Mas ela compreendeu e eu me senti ouvido, pois a sinceridade dela sempre foi um grande estímulo para mim. Sei que quando ela fala que está ruim é porque realmente está. Eu, na verdade, estava esperando isso e obtive outra demonstração de atitude: uma tímida admiração, me pareceu até incomum, pois por causa da minha ansiedade muitas vezes toquei algo pra ela que eu sabia que ainda eu não reunia condições. Em muitas dessas ocasiões trabalhei duro depois de ouvir seus comentários. Grande parte do que eu sou como músico devo a ela. Aos poucos estou conseguindo romper várias barreiras que criei sem querer ao longo do tempo. Minha timidez era uma delas, minha insegurança também, minha falta de sinceridade também, minha covardia também, assim como meus medos, bobos disfarçados de monstros e eu mais bobo acreditava nos meus olhos inocentes. O enfrentar todos esses meus defeitos está me deixando mais forte. Sem algumas mudanças de atitude eu jamais poderia ser o Ricardo que estou sendo agora, um que eu nem sequer imaginei. Agora sim posso transformar as cores da minha alma em música. Agora sinto a concomitância entre a minha tênue racionalidade e o meu vigor emocional. Agora sinto o equilíbrio que eu havia perdido. Agora sinto a força de cada lado que me comanda e escuto suas vozes com atenção e sei quando devo ouvi-las. Pra construir um castelo é necessário por um tijolo sobre os outro, alternadamente e eu tava empilhando uns aqui, outros ali e já não sabia mais quantos eu já havia espalhado. Estou reunindo todos eles, nem sabia que eram tantos... Postado por :Ricardo / 1 comentários [quinta-feira, janeiro 17, 2008] LAMENTOS DE UM COVARDE Fazia tempo que eu não vinha aqui. A poeira tomou conta de tudo, Quase nada reconheci. Olhei pra trás. Só, ouvia o vento sibilante Que tentava dizer algo. Logo entendi. Pensei que era fácil matar... Matar raízes de pensamentos. Fingi que eles se foram. Apaguei a luz, tudo sumiu. Mas e aquela sensação de observado? Ah, ela sempre sorrateira Mantinha sua fidelidade no assombrar. No fundo as raízes estavam vivíssimas. Já caminhei quilômetros, As fases da Lua alternaram nem sei quantas vezes, Quis fugir das minhas raízes. Impossível! Cedo ou tarde Sentirei o romper mudo Da minha consciência ofegante. Postado por :Ricardo / 0 comentários |