|
Perfil
Links Favoritos:
Livros que estou lendo:
Bandas que mais estou ouvindo ultimamente:
Músicas que mais tenho tocado no baixo (com excessão das músicas da minha banda):
Atividades físicas: Arquivos:
Contador
![]() |
|
[quinta-feira, março 27, 2008] Inflências... As palavras têm poder. Por isso é necessário ter muito cuidado ao usá-las, ou até mesmo pensá-las.
Durante umas duas semanas eu comecei a me sentir um nada como músico. Todas as minhas expectativas, minhas imaginações e a minha realidade entraram em conflito. Naquela bagunça pós-guerra ecoavam as palavras destroçadas dentro da minha cabeça e de tanto ouvir aqueles estilhaços comecei a entrar numa espécie de transe hipnótico, onde eu construí falsas realidades e acreditei na sua profética ameaça fictícia. Eu já falei em outras ocasiões que só ando pelos extremos. Quando conseguirei agir e pensar equilibradamente? Sou muito sensível, não importa qual seja meu estado emocional, eu mergulho nele de cabeça e ele transborda em mim. Mas quando estou triste isso não é bom, pois acho que a energia negativa tem uma força muito poderosa, ela se alastra como um ebola, me faz pensar e ver tudo de uma maneira depreciativa e quem acaba se depreciando sou eu; à toa! Se você leu as últimas coisas que escrevi, esqueça tudo, aquela voz que falava era a de um Ricardo louco, exagerando os fatos, distorcendo-os, ele estava sendo guiado por uma tristeza que o mudou durante alguns dias, o fez agir como uma criança mimada que precisa correr pra baixo da saia da mãe e perdido começa a chorar desesperadamente. Não sou perfeito, como ninguém é, mas essas quedas são parte da ascensão. E vale lembrar que ninguém é uma ilha. Eu tenho sorte por ter pessoas que me amam ao meu redor. É a vocês que eu agradeço pela força positiva que voltou em mim. Postado por :Ricardo / 0 comentários [quinta-feira, março 20, 2008] O homem invisível Procurei seguir aquele archote que eu achava que me guiava pelo caminho da realidade. Demorei pra perceber que seguia uma luz artificial.
Bem que eu notei que todos se afastavam e quando anoiteceu eu já estava só e a luminosidade desapareceu abruptamente. Olhei em meu derredor e eram apenas as trevas silenciosas que me restavam. A noite nunca acabou e acabei sofrendo um mimetismo estranho: fiquei invisível. Parece uma eternidade, espero que não seja. Qualquer hora é noite, qualquer hora sou uma sombra discreta e imperceptível que anda entre os outros mortais. Sou uma sombra dotada de algumas habilidades, mas na minha escuridão não consigo ser notado de forma alguma. Agora caminho todos os dias entre aqueles que jamais ouvirão o som que emana de mim, mesmo que fosse maravilhoso, só pra mim mesmo é que provocaria alguma emoção. Continuar ou não continuar... É melhor eu me calar já que ninguém ouve a minha voz, ninguém liga para os meus dedos deslizando nas cordas, estou convencido que qualquer um pode fazer o que faço, com a diferença que qualquer outro está na luz e eu num mundo paralelo onde a escuridão mescla com meu ser. Postado por :Ricardo / 0 comentários [sábado, março 15, 2008] Agora que você sabe discernir como que é a asfixia pela manta do orgulho, nunca mais deixe que ela te envolva. Postado por :Ricardo / 0 comentários [quarta-feira, março 12, 2008] Eu tento ser, mas não sou mais moleque. Não sinto mais o cheiro de espírito jovem em minha pele. Em algumas circunstâncias raras até volta uma ponta desse espírito, mas muito longe de ser plena.
Acabei por me contentar com a maneira que toco, nunca vou ficar bom como eu sonhei desde o começo, nunca vou conseguir adquirir as habilidades que gostaria, nunca vou ser um músico de verdade, minha vida pelo jeito sempre será essa farsa muito mal representada de tentar ser, a diferença é que agora tenho uma consciência bem iluminada disso tudo. Treino todos os dias umas duas horas mais ou menos, pouco tempo, pouco progresso, pouco contentamento, poucas perspectivas de mudanças, pouco estímulo, pouco vigor físico. Ainda me resta o gostar de tocar e é por isso que ainda continuo. É impossível eu ouvir um som que eu curto sem que prontamente não me venha a vontade de tentar aprendê-lo. Estou no escritório, o tempo passa, devora meu tempo, digere minha vontade e me caga mais tarde. Esse detrito é o que resta de mim pra treinar. E sou esse que até hoje não despertou mais do que algumas palavras agradáveis de amigos ou leigos ao me ouvirem. Sou esse que não sabe tocar um terço do que gostaria e que sabe que isso dificilmente vai mudar. Cansei de sair em bares ou ir a shows e ficar deslumbrando a possibilidade de eu estar ali, muitas vezes divagando que poderia até fazer melhor do que aquele que está no palco. Ou me admirando com a destreza dos músicos e me empolgando, acreditando que ainda vou chegar lá. "Lááááá é bem longe daquiiiiiii..." Parece até que todas as notas são minhas inimigas. Tanto estudo, tantas horas de dedicação pra tocar pras paredes, pra ser admirado nada mais que por ninguém. Pra ser castigado vendo tanta gente ruim agradando multidões, dizendo fazer arte quando só o dinheiro e fama é o que importa. Desmorona um sonho, aos poucos, desmorona tijolo por tijolo, agregam-se entulhos em pilhas fabulosas, pilhas amargas de se ver, pilhas amedrontadoras. Sou apenas mais um roqueiro, apenas mais um desiludido, apenas um cara que enxerga no fundo do olhar de todos que o cercam o sorriso irônico de uma mudez que diz tudo: ainda não desistiu dessa coisa. Amanhã continuarei tocando pra mim, com paixão. Mas não sei se daqui pra frente conseguirei ser o mesmo tocador de baixo. Uma tristeza enorme me invadiu, já não sou o mesmo sonhador, aliás nem lembro mais quando sonhei com isso pela última vez, a realidade me fustigou demais. E as cicatrizes que correm em minhas veias machucam demais. Postado por :Ricardo / 0 comentários [segunda-feira, março 10, 2008] Desilusão
Escutei... Muitas vezes aquela música que me tocou desde o primeiro instante. Eu queria fazer minha parte já, sem mais protelações, era assim que eu gostaria de viver todos os dias, mas meu querer está predominantemente aquém do meu refúgio e nele permaneço sem poder abrir minhas asas como gostaria. Sequer posso voar, faz tempo que me sinto numa gaiola, cantando majestosamente no meio do deserto, longe de qualquer ouvido. Entrei naquela atmosfera sombria e busquei dentro de mim os sons da sombra. Só quis me guiar naquelas trevas com o auxílio de uma tênue luz chamada campo harmônico, fui tateando e seguindo em frente, achei meu campo de repouso e parei de pensar e passei somente a ouvir minha intuição musical, todos as notas se comunicavam de acordo com o sentimento que havia me despertado aquela criação. Achei tudo perfeito, o nome, a intenção de seu uso, sua força; e me entreguei de peito aberto, deixei minha alma voar em cada nota e voltar pra soprar em meus ouvidos o que meus dedos produziriam no baixo. Horas passaram-se, horas noturnas onde meu sono queria me vencer a qualquer custo, onde eu sabia que o dia seguinte repleto de responsabilidades me aguardava, então ignorei minha consciência e ouvi somente minha transcendência. E no meu parecer transcendi, pois consegui transportar as notas da minha imaginação pro plano físico. Chegando meu tão esperado Sábado fiz de tudo pra conseguir gravar minha idéia. Meus recursos são mínimos em termos de equipamento de gravação, mas consegui transferir pelo menos uns setenta por cento do que soam as notas quando toco ao vivo. O resultado foi fruto de uma manhã de trabalho que me deixou orgulhoso, mesmo sem ter conseguido alcançar a perfeição, afinal de contas agora era possível mostrar minha criação. Quis mostrar a todos os interessados e o que recebi foi um silêncio que entendi como desprezo. Agora me sinto tolhido de continuar trabalhando nessa música. Desilusão: essa é a palavra que martela a cada segundo na minha cabeça. O triste é que quando recebi os e-mails na quinta-feira, li os comentários, ouvi a gravação do Ênio, isso me inspirou tanto que logo pensei num outro contexto pra arte visual, borbulhavam idéias no meu intelecto. Mas despencou uma enorme estalactite no centro da veia da minha inspiração. Pode parecer patético, mas o silêncio me causou uma profunda dor e não é a primeira vez que isso acontece. Isso é muito pior do que a possível verdade de quem ninguém gostou, mas o que custa uma só palavra? E como não quero começar uma lúgubre discussão, apenas escrevo minhas angústias pra tentar torná-las mais fracas, pra tentar expulsá-las do meu peito. Ainda estou procurando entender qual é a lição que tenho que aprender com essa dor... Pelo menos, ontem eu consegui escrever um poema que adorei. Nunca algo que escrevi me tocou tanto, talvez só eu o entenda plenamente, já que são meus aterradores sentimentos vestidos de palavras. Postado por :Ricardo / 0 comentários [domingo, março 09, 2008] Na cela de minha agonia Me encolho como um feto. Tento me abster dos sentidos Tento me esconder dos meus medos Que chegam de surpresa, Sempre querendo estraçalhar Meus nervos com suas gargalhadas De escárnio — aquele gélido escárnio Que sopra de todos os cantos. Tento me proteger em vão. Queria ouvir um sim ou um não, Mas esse sopro fustigante Não me deixa um instante. E é essa tortura vazia O algoz da minha agonia. Meu mais forte grito é um nada Dentro do enorme e constante assobiar Desse vórtice que me enlouquece. Tento ser ouvido pra quê? Tento mostrar meu talento pra quê? As paredes já cansaram de tanto som. Acho que o orgulho me inspira, Ou talvez a teimosia que me faz sofrer Esse mimetismo involuntário. Assemelho-me a esse nada Que me cerca nessa estrada Sem fim, deserta, arredia Onde busco a perfeita melodia. E se ela me encontrasse finalmente? Será que mudaria mesmo meu presente? Postado por :Ricardo / 0 comentários [sábado, março 01, 2008] Hoje foi o dia da segunda etapa da gravação do CD da minha banda. Mais três músicas foram gravadas.
É engraçado como em certas ocasiões tenho a capacidade de administrar tão mal o meu parco tempo livre! Quando combinamos a data da gravação para mim ainda parecia distante e por isso eu não estava tocando as músicas em casa tão frequentemente. Os ensaios pareciam suprir minha necessidade de treino. Em casa eu estava mais a fim de tocar músicas das bandas que eu gosto. E qual foi a minha surpresa quando o Ênio me ligou na quarta-feira pra dizer como foi sua performance no estúdio? — Caralho, eu tô tocando perfeitamente as músicas pra estar assim tão tranqüilo? Quando cheguei em casa e me vi livre de tudo, peguei meu baixo, alonguei-me e comecei a tocar... Exausto, mas vamos lá! — Que droga! Tá uma bosta e eu só tenho 3 dias pra treinar! Sendo que, na verdade, era no máximo duas horas por dia que eu tinha pra me dedicar às músicas. Pratiquei freneticamente, tentando me ouvir ao máximo, tentando fazer meu feeling fluir em cada nota nessas poucas horas de determinação e auto-cobrança. E chegou o grande dia. Tive que acordar 7h da manhã porque hoje era dia de faxina. E estive ocupado com os afazeres domésticos até 13h mais ou menos. Almocei, descansei um pouquinho lendo o Blog do Sandre, depois toquei umas duas vezes cada música, vi algumas besteiras na internet e fui pro estúdio. Cheguei 3h59min. Adiantado um minuto. Lá encontrei o Sandre, a Ana Paula e o Hugo (aquele que todos conhecem, ou que conhece todos, seja o que for) que assistiram meu desempenho em estúdio. Por que gravar ainda me gela o estômago? Toco há tanto tempo e tremo diante da hora da verdade. Porra, é só fazer o que sei! Mas não sai como sei. Levei duas horas pra gravar três músicas. Tá certo que não é música pra qualquer um, pois são difíceis, mas eu não consigo me conformar que ainda não tenho total segurança em fazer o que mais gosto na situação gravação. Agora, deixando a choradeira de lado, quero apenas falar que estou muito satisfeito. O Paulinho é muito bom no que faz. Quando cheguei em casa ouvi o CD, que por enquanto só tem bateria e baixo, e fiquei impressionado com o som que ouvi. Caralho! Não acredito nesse som de bateria, nos timbres do meu baixo, como ficaram fiéis ao meu gosto. Eu toquei isso, nós compusemos isso e tá foda! Ouvi as três músicas atentamente, repeti algumas partes, depois coloquei o Somewhere in time pra ouvir! Porra, por mais que o pessoal que gosta de músicos virtuoses critiquem o Steve Harris, pra mim ele sempre será meu mestre. Admiro seu trabalho nos discos dos anos 80 do Iron Maiden. E por mais que eu toque bem sempre me inspiro nele. Nele e no Markus Grosskopf do Helloween. Graças a todos os músicos que fazem parte da minha vida pude criar meu estilo, pude transpor os sons da minha alma em música e os gravei pra tocar a alma de quem os ouvir. Não vejo a hora da guitarra e as vozes estarem gravadas! Se existe uma fonte da juventude ela se chama MINDTRIGGER! Isso e a morte são minhas únicas certezas! Postado por :Ricardo / 0 comentários |