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[domingo, maio 18, 2008] S.T. Eu e a Renata chegamos no Maquinária Fest quase 8h. Depois que encontramos o Ênio demos uma embaçada e entramos. Estava começando o show do Misfits, que eu só conhecia duas músicas que eles tocaram, mas foi bem legal, gostei do som deles, é bem tocado. Depois começou o Embrioma, que sinceramente, depois de ter ouvido com calma o som deles no myspace, não gostei. Eles até têm uns riffs bem loucos, mas tem muita parte que pra mim lembra bandas de new metal que eu não gosto. Portanto nem prestei atenção no show deles, paramos pra comprar algo pra beber. Então veio o Sepultura que também foi foda, o Andréas me surpreendeu quando fez uns vocais bem legais, o baterista novo manda muito bem e eu curti o repertório. Eu não via a hora de começar o show do Suicidal Tendencies, mas tive que agüentar o Tristania, que não podendo deixar de fazer a piada, foi uma puta tristeza suporta-lo. É ruim demais aquela banda! Três vocais que não valem por um, cada um canta de um jeito na banda e nenhum combina entre si, o baterista não tinha pegada, o baixista tocava de palheta linhas medíocres e o guitarrista não foi capaz de tocar nada que chamasse um mínimo de atenção. Resumindo, foi uma bosta aquele show. Acabou aquela chatice, paramos num pilar, próximo ao palco 1 e ficamos esperando sem ter certeza que seria mesmo o tão esperado show, a bateria parecia muito pequena pra ser de alguém que toca no Suicidal. E então, com o palco todo escuro ainda, começou a introdução da You Can't Bring me Down. Era o Suicidal Tendencies. Caralho! Eles tocaram músicas das antigas que eu nem esperava. Só pra ter uma idéia vou tentar lembrar o repertório: · You Can't Bring me Down · We are a Family · Subliminal · War Inside my Head · I Saw your Mommy · Trip at the Brain · Send me your Money · Cyco Vision · Go Skate (Possessed to Skate ’97) · How will I Laugh Tomorrow · Pledge your Allegience Não sei se esqueci de alguma e também essa não é a ordem, pois eu sou ruim pra lembrar, mas quem curte sabe que foi foda! Essa, definitivamente, era uma das bandas que eu mais queria ver tocando e eu sabia que seria do caralho. O Mike Muir fez vários discursos em cima de bases que a banda tocava — com uma puta criatividade. E no palco o cara, como sempre, não pára, corre de um lado para o outro sem parar. E a banda sem comentários, os músicos são excelentes, é inacreditável ouvir o que aqueles caras fazem naquele estilo de música. Bem, nem vou falar do Biohazard, pois conheço poucas músicas, mas foi muito o bom o show, os caras agitam pra porra e as músicas também fazem o sangue borbulhar. Eu sei que hoje acordei, tomei café, peguei meu baixo e já comecei a tirar umas músicas do Suicidal, tudo indica que vou ficar viciado neles novamente, porém como agora toco bem melhor e tenho um ouvido mais apurado do que na época em que eu ouvia Suicidal direto, estou percebendo que vou subir uns degraus de técnica, pois só o que já tirei já está foda. Postado por :Ricardo / 1 comentários [sábado, maio 17, 2008] Tô desde ontem à noite só tocando Suicidal! Fazia tempo, relembrei umas músicas, tirei outras. Os caras tocam muito! Onde o Mike Muir consegue achar uns caras que tocam tanto e gostam de fazer um som pancadaria? Daqui a pouco estarei lá! "Suicidal and proud we are a family!"
Postado por :Ricardo / 0 comentários [sexta-feira, maio 16, 2008] SUICIDAL TENDENCIES! Amanhã, nem acredito! Quanto tempo faz que quero ver o show deles! Umas das minhas principais influências! É minha principal fonte de aula de slap e pizzicato a milhão! Vai ser foda! "Hardcore, Punk Rock, the Cyco way. Join the new army Join the S.T. army"
Postado por :Ricardo / 0 comentários [quarta-feira, maio 14, 2008] Domingo, após as visitas às nossas famílias, pegamos o metrô para voltar pra casa. Vagões cheios, obviamente, naquele dia.
A Renata se sentou num acento reservado, já que não havia ninguém cuja característica lhe reserva o direito de faze-lo, e eu permaneci de pé, na frente dela. Algumas estações passaram quando entrou uma mulher, que aparentava ter uns trinta e poucos anos, com a sua pequenina filha. Nessa mesma parada desembarcaram algumas pessoas, então, a Renata mudou para o banco contíguo e não reservado, eu me sentei ao lado dela, a mulher que acabara de entrar colocou sua filha no banco onde minha esposa estivera e ficou parada na frente da menina, bem onde eu estava até há pouco. Todo esse arranjo foi feito mecânica e rapidamente. O trem apitou, fechou as portas e prosseguiu com seu curso. A criança de pele escura e mal-tratada me fitou por um tempo que perdura além do comum entre pessoas desconhecidas. Eu olhava nos olhos dela e tentava imaginar o que se passava naqueles pensamentos pueris. Será que ela está admirada com os meus piercings ou com a minha barba? Um absoluto silêncio tomou conta do meu mundo naquele instante, enquanto tudo ao redor mantinha-se inabalável. Desviei meu olhar para a direção da Renata, voltei a cabeça para o lado oposto, meus olhos passaram pelos da menina que mantinha insistentemente seu olhar sobre mim, olhei rapidamente para a mãe dela que também olhou para mim de soslaio e, finalmente, voltei para os olhos da garotinha. O silêncio já estava perturbador diante daquele olhar, ou eu ignorava ou puxava alguma conversa. Então, quando pensei em perguntar-lhe o nome ela que me dirigiu esta pergunta. Respondi e quis saber o dela. Não ouvi por causa do barulho de múltiplas conversas e atritos metálicos, mas de fato não queria saber. Ela começou a falar sem parar, sem se preocupar se o excesso de barulho permitia que eu a escutasse. E dentre tantas coisas só consegui deter quatro informações: ela tinha três anos, gostava de sambalelê, seu pai tinha fugido de casa e ela sabia dançar o créu. A última informação foi a mãe quem insistiu para que ele me contasse, quando num dado momento perguntei para a extrovertida criança se ela gostava de dançar. Divaguei. Meus pensamentos vagaram no meio daquele burburinho. Como será o futuro de uma criança sem pai, que tem uma mãe com mau gosto e se orgulha de ver a filha pequena imitar movimentos lúbricos quando deveria se entreter com algo lúdico? E como uma faísca meus pensamentos sumiram dali e foram pra outras esferas, pintavam imagens sórdidas de prostituição infantil, a inocência sendo extinta pela falta de escolha, nessa pintura grotesca milhares delas espalhadas pela urbe, mendigando nos faróis, estraçalhando lixos por causa da fome, cheirando cola por irredutíveis e tristes motivos, conhecendo o que é usar uma arma, aprendendo que a violência é um meio pra sobrevivência... Incontáveis realidades dolorosas me visitaram naquele instante. Como que num microscópio de imaginação enxerguei toda a desigualdade social crescendo e me assustando como nunca, advindo de séculos e séculos de vilipêndio à beleza humana. E ainda tem gente que tenta me convencer que o deus (letra minúscula mesmo!) bíblico existe e é justo! Se esse ser realmente existisse seria o mais perverso de todos, já que podendo fazer somente o bem permite o domínio do mal em escala exageradamente ampliada. Postado por :Ricardo / 0 comentários [segunda-feira, maio 12, 2008] Ontem foi dia das mães. Mais uma data comercial que eu não suportava mais antes de estar casado. Ficar longe de meus pais mudou minha maneira de encarar os fatos. Ontem foi uma oportunidade para revê-los, assim como a meus avós, meus irmãos, minha sobrinha (muito mimada) e outros parentes. Foi um daqueles almoços onde a família se reúne, todos saboreiam muitas comidas gostosas e feitas com prazer, alguns contam suas histórias enquanto os outros riem ou se emocionam, todos se divertem, brindam e se aproximam, mesmo que naquele breve instante. Eu só gostaria que tudo isso acontecesse não por motivo de datas comemorativas, mas sim por uma vontade de todos em passarem algum tempo juntos. Porém quando todos podem largar suas ocupações e seus planos senão numa data como esta? Isso nem é possível na correria diária e no curto fim-de-semana que temos para fugirmos do trabalho. E esse é o teor valoroso que há em datas assim, elas ainda têm o poder de mover tudo para que possamos viver toda essa magia que vai além de tradição.
Postado por :Ricardo / 0 comentários [sábado, maio 03, 2008] Têm algumas aptidões que desapertam em nossas mentes. Então, passamos por aquele estágio de pensamento: eu tenho que fazer isso! E quando o pensamento é insistente demais, acredito eu, que tende a pôr os músculos em ação, tende a dilatar todos os sentidos amplamente.
Por isso dispenso rótulos, não quero ser uma coisa só, já que muitos eus gritam dentro de mim e em cada um deles vejo minhas potencialidades impressas, prontas para serem postas em prática, prontas para o próximo ato, aproveitando-se da breve intermitência das outras para se despontarem, revelando assim mais um lado da minha pluralidade. Admiro a transitoriedade das coisas e admiro também a minha persistência em querer transformar meu destino. Continuo olhando para o olhar daqueles que não crêem em realizações “impossíveis”, porém seus olhares já não chegam a faiscar em mim, antes são parte de um quadro expressionista deixado ao desdém da corrosão secular que existe em meus segundos de recapitulação. Já atravessei a rua e mantenho meu trajeto, sei que me perdi por algum lapso, sei que optei por alguns degraus que nem tinha certeza que me levariam a algum lugar relevante. Mesmo assim subi, a princípio com o ardor de um atleta ávido por vitória, mas a medida que o mundo ficava pequeno lá embaixo, eu passava por vários estágios infernais, que eram suprimidos muito raramente com uma minúscula pitada de céu. Cansei da pressão, pulei de uma estrela para outra estrela longínqua, porém que parecia tão próxima, e nela um silêncio tão absurdo e branco me cingia que senti seu toque etéreo; comunicamo-nos por sensações. Tudo isso me levou de volta pra crisálida. Alguns passam e observam distraidamente aquela casca pendurada num galho ancestral e duvidam que de lá sairá um ser com asas. E sairá, como muitas outras vezes saiu! Postado por :Ricardo / 1 comentários |